Assassinatos de mulheres em Ciudad Juarez atingem nível mais alto em 16 anos

O número de mulheres assassinadas em Ciudad Juárez, no Estado de Chihuahua, norte do México, vem aumentando e alcançou sua cifra mais alta em 16 anos. Segundo organizações civis, pelo menos 88 mulheres foram assassinadas na cidade desde o início do ano, o índice mais alto desde que esses crimes começaram a surgir, em 1993.

BBC Brasil |

A maioria dos assassinatos não foi esclarecida e as autoridades dizem que vários seriam consequência de disputas entre traficantes na cidade, que fica na fronteira com os Estados Unidos.

As organizações não-governamentais estão em alerta. "É uma cifra muito, muito preocupante e revela que apesar de todas as ações e denúncias feitas, a impunidade continua", disse à BBC Mundo Juan Carlos Gutiérrez, diretor da Comissão Mexicana de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos (CMDPDH).

O aumento desses crimes coincide com a polêmica causada pelo presidente Felipe Calderón ao propor a nomeação de Arturo Chávez como promotor geral do país.

Chávez foi procurador em Chihuahua nos anos em que mulheres começaram a ser vítimas da violência na cidade. Organizações de defesa dos direitos humanos o acusam de não ter investigado os crimes.

O fator narcotráfico
Desde o ano passado, a cidade se tornou um campo de batalha dos cartéis de Sinaloa e Juarez, que disputam o controle do tráfico de drogas na região.

A procuradora de Justiça de Chihuahua, Patrícia González, definiu a situação como uma "guerra de extermínio" entre os grupos. Mais de 3.000 pessoas foram mortas desde janeiro de 2008.

Desde o ano passado, as ONGs advertiram que a disputa entre as quadrilhas iria causar um aumento no número de mulheres assassinadas.

"(Isso ocorreu) por diferentes razões, mas o certo é que o número aumentou como jamais antes", disse à BBC Mundo Mariela Ortíz, fundadora da organização Nuestras Hijas de Regreso a Casa, que agrupa mães de mulheres assassinadas.

Processos internacionais
Desde abril, o governo do México enfrenta um processo na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pela falta de punição aos assassinos das mulheres.

O processo se concentra no caso de três jovens mulheres, cujos corpos foram encontrados em um campo de algodão. Mas o resultado deste processo poderá refletir nos casos de outras 500 vítimas reconhecidas pela Procuradoria de Justiça de Chihuahua.

As mães das três mulheres exigem a reparação de danos pelo governo mexicano, não apenas com indenizações em dinheiro, mas também com a punição dos culpados.

Também se exige proteção às famílias das vítimas, que vêm sendo ameaçadas há vários anos.

Nas audiências realizadas em abril, a procuradora de Chihuahua afirmou que mais da metade dos casos foram solucionados.

A sentença poderá ser ditada dentro de um mês, informou o diretor da CMDPDH.

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