Assange critica empresas americanas que bloquearam WikiLeaks

Fundador do site que vazou documentos diplomáticos diz que Visa, Mastercard e Paypal são instrumentos da política externa dos EUA

iG São Paulo |

O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, criticou as operadoras de cartões de crédito Visa e Mastercard e a empresa de pagamentos na internet PayPal por terem bloqueado as doações ao site desde sua prisão, em Londres, na semana passada.

Em comunicado divulgado por sua mãe, Christine, Assange afirma: "Agora sabemos que Visa, Mastercard e PayPal são instrumentos da política externa dos Estados Unidos. É algo que ignorávamos".

Na semana passada, as operadoras de cartões Visa e Mastercard anunciaram a suspensão das transferências para o WikiLeaks. A Visa destacou que aguardava "elementos adicionais" para saber se a atividade do portal está de acordo com suas regras de funcionamento, enquanto a Mastercard qualificou a atividade do site de "ilegal".

A PayPal reativou a conta do WikiLeaks, liberando os fundos disponíveis, mas adotou certas restrições e advertiu que não aceitaria novos pagamentos até nova ordem. Os sites do PayPal, Visa e Mastercard foram alvos de ataques virtuais de simpatizantes do WikiLeaks. Desde 28 de novembro, o WikiLeaks divulga telegramas diplomáticos americanos confidenciais, o que provocou indignação de vários governos.

Audiência

Assange deve comparecer nesta terça-feira diante de um juiz britânico para definir se ele será ou não extraditado para Suécia, onde ele é acusado de ter cometido "crimes sexuais".

O fundador do WikiLeaks será representado pelo advogado Geoffrey Robertson, ex-juiz do Tribunal Especial da ONU para Serra Leoa, que é especializado em casos de liberdade de expressão e tem entre seus clientes o escritor Salman Rushdie.

O grupo de hackers ativistas Anonymous, que nos últimos dias atacou os sites das empresas de pagamentos MasterCard, Visa e PayPal, ameaça sabotar o sistema Judiciário britânico, caso Assange seja extraditado.

De acordo com o jornal britânico The Sunday Times, os ativistas lançariam um ataque contra o sistema informático do Serviço Público de Processamentos (CPS, na sigla em inglês) e outros departamentos governamentais relacionados à extradição de Assange, solicitada pelas autoridades suecas. O ataque seria uma medida de protesto.

O Anonymous também poderia atacar o sistema da prisão de Wandsworth em Londres, onde o ativista australiano de 39 anos está preso, acrescenta o Sunday Times.

Com AFP

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