Assange condena 'campanha de difamação' e teme Justiça dos EUA

Após libertação, criador do WikiLeaks diz que 'nunca tinha ouvido falar' em Bradley Manning, acusado de vazar documentos dos EUA

iG São Paulo |

O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, afirmou nesta sexta-feira que as acusações de crimes sexuais que pesam contra ele são parte de uma "campanha de difamação". Assange, disse, também, estar preocupado com a possibilidade de ser acusado pela Justiça americana e ter de enfrentar um processo de extradição para os Estados Unidos.

"Ouvi de um de meus advogados que pode haver uma acusação contra mim nos Estados Unidos, vinda de uma investigação secreta de um grande júri americano", afirmou Assange. "O maior risco, o risco que preocupa a todos nós, é a extradição para os Estados Unidos. E isso parece ficar cada vez mais sério e cada vez mais provável".

AP
Assange posa para foto durante entrevista nesta sexta-feira em Norfolk, na Inglaterra

Assange foi solto sob fiança na quinta-feira, após nove dias preso, e está hospedado em uma mansão em Suffolk, 200 km a nordeste de Londres, onde aguarda em liberdade condicional o processo de extradição para a Suécia, que o acusa de crimes sexuais.

O australiano de 39 anos nega as acusações contra ele feitas pelos promotores suecos. Assange diz que seu caso envolve "vários interesses diferentes - pessoais, domésticos e internacionais".

Conspiração

Na quinta-feira, o jornal americano "The New York Times" afirmou que promotores federais dos Estados Unidos estão procurando provas para acusar Assange de conspiração.

De acordo com o jornal, funcionários do Departamento de Justiça estão tentando determinar se Assange encorajou ou ajudou o soldado Bradley Manning, suspeito de ter divulgado documentos confidenciais do governo.

Se Assange tiver feito isso, as autoridades acreditam que ele possa ser acusado de conspiração no vazamento, e não apenas um receptor passivo que publicou o material, afirmou o NYT, citando como fonte pessoas próximas do caso. Um porta-voz do Departamento de Justiça não quis comentar o assunto.

Em entrevistas nesta sexta-feira, Assange disse que não conhece Manning. "Eu nunca tinha ouvido falar no nome Bradley Manning antes de ser divulgado pela imprensa", afirmou. "A tecnologia do WikiLeaks foi projetada desde o início para assegurar que nunca conheçamos os nomes ou as identidades de pessoas que nos repassam materiais. Em última análise, essa é a única maneira de garantir anonimato às fontes."

O WikiLeaks já publicou centenas de documentos secretos americanos de um pacote de mais de 250 mil comunicações diplomáticas dos Estados Unidos a que teve acesso. O site já havia provocado polêmica anteriormente com a divulgação de milhares de documentos militares americanos secretos sobre as guerras no Afeganistão e no Iraque.

Caça

Assange foi duramente criticado nos Estados Unidos, onde a ex-candidata republicana à Vice-Presidência Sarah Palin disse que ele deveria ser caçado da mesma maneira que os líderes da rede Al-Qaeda.

O australiano afirma que as acusações contra ele têm motivação política e a intenção de desviar a atenção do material publicado pelo WikiLeaks.

Assange é acusado de manter relações sexuais sem proteção com uma mulher, quando ela havia pedido para que ele usasse um preservativo. Ele também é acusado de manter relações sexuais desprotegidas com outra mulher enquanto ela dormia.

Pela lei, o pedido de extradição deveria ser analisado em até 21 dias após a detenção, ocorrida no dia 7 de dezembro, mas em casos de grande repercussão como o de Assange, isso pode levar na prática vários meses.

Com AFP, Reuters e BBC

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