Assad faz em Paris seu grande retorno ao cenário internacional

O presidente sírio Bachar al-Assad fez neste sábado em Paris seu grande retorno ao cenário da diplomacia internacional ao ser recebido por Nicolas Sarkozy, que anunciou uma viagem a Damasco em setembro, na véspera da cúpula da União Pelo Mediterrâneo (UPM).

AFP |

Assad, por sua vez, confirmou a abertura de uma embaixada libanesa em Damasco e de uma representação síria em Beirute, abrindo o camminho para o estabelecimento de relações diplomáticas entre a Síria e o Líbano, pela primeira vez desde a proclamação da independência dos dois países, há mais de 60 anos.

Convidado mais aguardado da cúpula da UPM, que reunirá em Paris cerca de 40 chefes de Estado e de governo, Assad foi recebido na tarde deste sábado por Sarkozy no palácio do Eliseu, a sede da presidência francesa.

Depois do encontro, Sarkozy anunciou que viajará a Damasco em setembro, para a primeira visita de um presidente francês à Síria desde 2002.

A Síria "desempenha um papel crucial" no Oriente Médio, afirmou Sarkozy durante uma entrevista coletiva com Assad e o presidente libanês, Michel Sleimane.

Assim, a Síria volta ao cenário internacional após vários anos de isolamento diplomático provocados pelo papel presumido de Damasco na onda de violência e de atentados que assolou o Líbano a partir de 2005.

O predecessor de Sarkozy, Jacques Chirac, tinha congelado as relações entre França e Síria após o assassinato, em fevereiro de 2005 em Beirute, do ex-primeiro-ministro libanês Rafic Hariri.

Apesar das críticas dos defensores dos direitos humanos contra o regime sírio, considerado um dos mais repressores do mundo árabe, Sarkozy havia prometido a Assad que o receberia logo após a eleição, em maio, de Michel Sleimane à presidência do Líbano. A eleição presidencial libanesa foi bloqueada durante vários meses pelos aliados da Síria naquele país.

"Quem quer fazer avançar o processo de paz no Oriente Médio não pode conversar apenas com democratas", defendeu-se o governo francês, afirmando querer "encorajar" a evolução de Damasco.

A oposição de esquerda na França acusou Sarkozy de abandonar seus compromissos sobre os direitos humanos recebendo outro "ditador", depois de ter recebido em grande pompa o dirigente líbio, Muammar Kadhafi, em dezembro passado.

A oposição também denunciou o convite feito a Assad de assitir da tribuna de honra ao desfile de 14 de julho na avenida dos Champs-Elysées, em Paris. Os demais dirigentes da UPM também foram convidados.

Também neste sábado, Assad se encontrou com Sleimane pela primeira vez desde a eleição em Beirute, onde um governo de união nacional acabou de ser formado.

Domingo, todos os olhares estão voltados para o presidente sírio, mas também para o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert: os dois homens estarão reunidos na mesma sala pela primeira vez, por ocasião do lançamento da União pelo Mediterrâneo.

O coronel Kadhafi é o único dirigente importante que não comparecerá à cúpula, que deve durar apenas três horas.

O principal objetivo da UPM é associar os países da União Européia (UE) e do sul do Mediterrâneo em projetos concretos de coooperação como a despoluição ou a energia solar.

Os ministros das Relações Exteriores da UPM finalizarão a declaração final da cúpula na manhã de domingo. O principal ponto de divvergência desta declaração é o processo de paz no Oriente Médio.

Aos céticos que sustentaram que a iniciativa idealizada por Sarkozy não tem futuro, a presidência francesa respondeu que "o primeiro sucesso da UPM é ter fornecido um motivo para reunir todos os dirigentes da reunião em volta da mesma mesa". "Só esse elemento já constitui uma vitória", afirmou o Eliseu.

bur/yw

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