Ásia teme perder ganhos de década com alta de preço de alimentos

Por Andrew Hay MADRI (Reuters) - Os altos preços de alimentos podem empurrar milhões de asiáticos de volta à pobreza, reverter uma década de ganhos e fomentar conflitos civis, disseram líderes regionais no domingo ao pedirem um aumento da produção agrícola para atender a crescente demanda.

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A Ásia -- onde residem mais de dois terços da população carente do mundo -- corre o risco de crescentes tensões sociais devido aos aumentos que dobraram os preços do trigo e arroz no ano passado, um revés para pessoas que gastam mais de metade de seus rendimentos em alimentação, disse o ministro das Finanças japonês, Fukushiro Nukaga, durante o encontro anual do Banco de Desenvolvimento Asiático (BDA).

Se o preço dos alimentos aumentar 20 por cento, 100 milhões de pessoas na Ásia podem ser empurradas de volta à situação de extrema pobreza, segundo o secretário das Finanças indiano, D.

Subba Rao.

'Em muitos países, isso vai significar um retrocesso nos ganhos em redução da pobreza conquistados na última década de crescimento', disse Rao no encontro do BDA em Madri.

O BDA estima que cerca de 20 por cento da população da Ásia vive atualmente com menos de 1 dólar por dia -- definição internacional de extrema pobreza -- comparados a mais de 60 por cento nesta situação em meados dos anos 60.

Um aumento de 43 por cento no preço global dos alimentos no ano até março deste ano gerou protestos violentos em Camarões e Burkina Fasso, assim como manifestações na Indonésia após relatos de mortes por fome.

Muitos governos introduziram subsídios para alimentos e restrições às exportações para combater a subida dos preços, mas apenas exacerbaram os aumentos no mercado global, disse Nukaga.

'Os mais atingidos são os segmentos mais pobres da população, especialmente os pobres urbanos', disse Nukaga aos delegados do encontro.

'Isso vai ter um impacto negativo nos padrões de vida e na nutrição deles, uma situação que pode levar a conflitos sociais e falta de confiança', acrescentou.

O Japão é um dos 67 países membros do BDA que compareceu ao evento na Espanha para discutir medidas para combater os problemas relacionados ao clima e ao aumento da demanda que acabaram com décadas de alimentos baratos em nações em desenvolvimento.

A inflação alta, gerada pelos custos de comida e matérias-primas, está entre os principais assuntos do encontro anual do BDA.

A entidade, com sede em Manila, teve que se defender das críticas norte-americanas de que se concentra em países com rendimentos médios e negligencia os pobres das zonas urbanas e rurais da Ásia.

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