Ásia pede acesso à tecnologia da UE e EUA para enfrentar gripe

Bangcoc, 8 mai (EFE).- A Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), China, Japão, e Coreia do Sul pediram hoje à União Europeia e Estados Unidos acesso a sua tecnologia para a fabricação de vacinas contra a gripe suína, com o fim de preparar a região contra uma eventual pandemia.

EFE |

"Embora outras regiões (Estados Unidos e Europa) contem com a tecnologia para produzir vacinas contra a gripe, o acesso ao número suficiente para evitar uma pandemia é um problema na região asiática", assinalaram os ministros da Saúde dos 13 países asiáticos em comunicado conjunto.

Por sua parte, o primeiro-ministro da Tailândia e presidente rotativo da Asean, Abhisit Vejjajiva, pediu aos países asiáticos para forjar uma "cooperação intensa" para conter a propagação do vírus AH1N1.

"Nenhum país pode por si só controlar e enfrentar a esta ameaça, se requer uma cooperação intensa", disse o governante tailandês em seu discurso durante a segunda jornada da reunião que os ministros realizam desde ontem em Bangcoc.

Vejjajiva destacou a colaboração asiática é especialmente necessária para "desenvolver e produzir vacinas e remédios antivirais".

Os ministros da Saúde dos 13 países asiáticos estão reunidos com a finalidade de acertar medidas conjuntas contra a propagação do vírus da gripe suína, que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem potencial para infectar um terço da população mundial.

A gripe que se originou no México, do outro lado da Bacia do Pacífico, já chegou à Ásia, um continente que economicamente depende em grande medida do turismo e da troca comercial, que tem cidades com alta densidade de população, e onde alguns Governos de países em desenvolvimento investem pouco dinheiro em infraestrutura sanitária.

Até o momento, a gripe não afetou nenhum país do Sudeste Asiático, embora tenham sido detectados três casos na Coreia do Sul e um em Hong Kong, sem causar vítimas fatais.

O ministro tailandês de Saúde, Witthaya Kaewparadai, assinalou que a China se comprometeu a desenvolver vacinas para assistir os 500 milhões de habitantes da Asean se a gripe degenerar em uma pandemia.

O diretor-geral adjunto interino da OMS, Keiji Fukuda, assinalou por videoconferência, que o vírus AH1N1 é mais leve que o que gerou em 1918 a epidemia de gripe espanhola, embora não tenha descartado que tenha o "potencial para infectar um terço da população mundial em vários meses, no próximo ano".

No marco da reunião, um especialista do Departamento de Controle de Doenças da Tailândia, Supamit Chunsuthiwat, advertiu que a coordenação regional para responder à gripe suína será prejudicada pela menor capacidade de alguns países da região.

O Japão doou à Asean um milhão de vacinas antivirais e material médico, que será dividido entre Cingapura e o resto dos países da região.

Cingapura tem cerca de 5 milhões de tabletes de oseltamivir, um remédio contra o vírus da gripe armazenado desde o surto da síndrome aguda respiratório (Sars) em 2003 e a aparição da gripe aviária, um ano mais tarde.

A Tailândia tem armazenadas 5 milhões de doses de 1,32 milhão de unidades de oseltamivir, enquanto a Indonésia dispõe de 1,3 milhão de pastilhas da mesma fórmula química.

No entanto, os países mais pobres da Asean, como o Camboja ou Laos, carecem de reservas próprias de antivirais e também não dispõem da infraestrutura médica necessária para enfrentar à gripe suína.

Os ministros da Saúde dos 13 países descartaram restringir o movimento de pessoas por considerar que essa medida "sortirá pouco efeito e seu impacto será negativo no atual entorno global de recessão econômica", indicaram no comunicado final conjunto. EFE grc/ma

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG