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Asfalto na Floresta: Expedição chega ao vilarejo onde os botos cor-de-rosa dão uma mão aos ribe

Um helicóptero, uma cotia e um filhote de jacaré foram alguns dos obstáculos que encontramos na pista da BR-319 nesta sexta-feira. As más-condições da rodovia são impressionantes: pontes de madeira empenada que parecem que vão cair a qualquer momento, trechos inteiros de barro em que não sobraram vestígios do asfalto e buracos capazes de engolir um carro inteiro.

BBC Brasil |

Não cruzamos com nenhum carro, e em várias partes, a velocidade média não passa de 10 km/h.

Em compensação, um helicóptero particular estava parado no meio da pista. Parecia estar sendo reabastecido, obrigando-nos a parar.

Ao tentarmos nos aproximar, o piloto sinalizou que ficássemos longe. Nossos guias do Jipe Clube de Porto Velho desconfiam de que se tratassem de traficantes.

Como a aeronave decolou sem que pudéssemos conversar, não saberemos com certeza.

Jacaré
Mais adiante, um filhote de jacaré se banhava em uma das poças de lama deixadas pela chuva.

Tudo isso, entre trancos e sacolejos. Nem de longe pudemos enxergar pessoas.

Para quem sai de Porto Velho, Igapó Açu é a primeira comunidade depois de mais de 400 quilômetros de estrada deserta.

O vilarejo ribeirinho paradisíaco, com pouco mais de 30 famílias, poderia ser cartão postal da Amazônia. Se fosse possível chegar até lá.

Diariamente, três botos cor-de-rosa visitam os moradores perto da balsa que faz a travessia do Igapó Açu. Mansos, os animais tiram peixes das mãos dos locais, se afastam e logo voltam novamente para pegar mais comida.

Parceiros
Segundo os moradores, a relação com os botos vai mais longe e vira parceria quando o assunto é pesca, a principal atividade econômica da região.

Os animais ajudam a encurralar os peixes. Os pescadores, por sua vez, retribuem a gentileza com o produto da pesca.

Nas atuais condições da BR-319, a comunidade vive praticamente isolada do resto do país.

A escola local tem quase noventa alunos, mas o número de crianças passa de 120. Algumas famílias não podem matricular os filhos por falta de documentos.

E, segundo os moradores, isso significa uma fraca presença das autoridades. Principalmente quando o assunto é saúde.

"No ano passado, morreu um senhor a caminho de Careiro em um barco. O pior é que foi de uma pneumonia que tinha acabado de começar", diz um.

Esperança
Outro afirma que já teve malária quase 30 vezes, e que está comemorando pela primeira vez dois anos sem a doença.

A reabertura da BR-319 pode mudar isso. E, como em outras comunidades, a população espera por isso há 20 anos.

No entanto, a esperança se mistura com desconfiança.

"Nós sabemos que a estrada vai facilitar o escoamento dos nossos produtos, mas também vai trazer mais gente para cá", afirmou Adílson Barreto.

"Hoje nós não temos criminalidade aqui, não temos problemas para nos alimentar. Temos uma vida boa."

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