Asean fracassa em mediação da disputa entre Camboja e Tailândia

Miguel F. Rovira Cingapura, 22 jul (EFE).

EFE |

- Os ministros de Assuntos Exteriores dos dez países-membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) fracassaram hoje em sua tentativa de mediação na disputa fronteiriça entre Tailândia e Camboja.

Este problema, que se transformou em um foco de instabilidade regional, dominou também as conversas dos ministros da Asean com os da China, Coréia do Sul e Japão.

A alta do preço dos alimentos, a segurança energética, e o processo para conseguir o desmantelamento do programa nuclear da Coréia do Norte, foram outros dos assuntos abordados pelos 13 chanceleres na reunião realizada em Cingapura.

Tailândia e Camboja, vizinhos com uma longa história de disputas territoriais, mantêm há uma semana milhares de soldados dispersos em torno das históricas ruínas de Preah Vihear, enquanto se acusam mutuamente de invadir o território alheio.

Ao término da reunião extraordinária, da qual participaram todos os ministros da organização regional com a intenção de tratar da crise, o secretário-geral da Asean, o tailandês Surin Pitsuwan, disse que não houve avanço "além da troca de opiniões".

Fontes diplomáticas tailandesas admitiram que a Tailândia é resistente à intervenção da Asean e que se inclina pela negociação bilateral com o Camboja.

A Asean pediu na segunda-feira aos dois países que conduzam a situação com "suma cautela e reserva", e ofereceu-se para mediar a disputa fronteiriça que, segundo o primeiro-ministro de Cingapura, Lee Hsien Loong, "deteriorou-se a um nível perigoso".

O Camboja pediu hoje com urgência ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que atue para "evitar um confronto", depois que a reunião realizada na véspera em Bangcoc por delegações de ambas as Forças Armadas não produziu resultados positivos.

As duas nações disputam há décadas a soberania do templo do antigo império khmer que data do século XI e que há duas semanas foi incluído no Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), apesar dos protestos de Bangcoc.

Em 1962, a Corte Internacional de Justiça de Haia determinou que o terreno em que fica o recinto religioso pertence ao Camboja, mas a Tailândia resiste em aceitar essa idéia. EFE mfr/ab/rr

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