A.Saudita pede a Bush tratamento igual para palestinos e israelenses

Por Fouad Abderrahim Riad, 16 mai (EFE).- As autoridades sauditas pediram hoje ao presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, que está de visita em Riad, que trate israelenses e os palestinos "igualmente", no mesmo evento em que afirmou que, por enquanto, não há necessidade de aumentar a produção de petróleo.

O ministro saudita de Exteriores, príncipe Saud al-Faiçal, disse aos jornalistas em Riad, que o processo de paz no Oriente Médio foi tratado de "forma profunda" por Bush e o rei saudita, Abdullah bin Abdul Aziz.

Outros assuntos tratados na reunião foram as crises no Líbano e no Iraque, a polêmica causada pelo programa nuclear iraniano, e os preços do petróleo.

Al-Faiçal se referiu às declarações de Bush durante sua visita a Israel por ocasião do 60º aniversário da criação do Estado judeu, nas quais reiterou incansavelmente seu apoio e amizade com o povo judeu, e seu compromisso em proteger a segurança desse país.

"Todos compreendemos as dimensões da relação estratégica entre EUA e Israel, mas também é importante confirmar os direitos do povo palestino, que continuam confiscados pela ocupação israelense", disse o chanceler saudita.

"O presidente Bush falou sobre a justiça e os direitos (...) o povo palestino necessita urgentemente de justiça e de direitos.

Confirmar o direito de um povo a existir não anula o direito dos demais", acrescentou.

O ministro criticou duramente o bloqueio imposto por Israel sobre Gaza, que qualificou como "castigo em massa", assim como a construção de assentamentos judaicos na Cisjordânia, que, segundo ele, "sem dúvida, complicam a situação e obstaculizam o processo de paz".

"Existem os direitos de Israel e os direitos dos palestinos (...) o que pedimos é que sejam tratados de forma igual, que se volte para a legalidade e que não exista discriminação no tratamento com as partes em relação aos direitos", declarou.

O ministro saudita lembrou que na conferência de Annapolis (EUA), realizada em novembro passado, as resoluções da ONU e da Iniciativa Árabe, que oferece a Israel o reconhecimento do mundo árabe em troca da desocupação de alguns territórios, "são a base de uma solução do conflito palestino".

Sobre a crise libanesa, Al-Faiçal expressou o apoio de Riad ao diálogo, que a maioria parlamentar e a oposição, liderada pelo grupo xiita pró-iraniano Hisbolá, realizam a partir de hoje em Doha, Catar, mas insistiu na necessidade de "se evitar o uso das armas no futuro para alcançar metas políticas".

Além disso, reiterou o respaldo do reino wahhabista ao "Governo legítimo" do primeiro-ministro libanês, o sunita Fouad Siniora.

Por outro lado, o chanceler saudita descartou que seu país, e outros estados árabes, poderiam abrir embaixadas em Bagdá, como pede Washington.

Ele também pediu que todas as entidades políticas e religiosas iraquianas sejam incluídas no processo político, em uma clara alusão aos sunitas.

O ministro reiterou, além disso, a necessidade de a polêmica em torno do programa nuclear iraniano ser resolvida por meio das negociações, e que "todos cumpram com os requisitos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)".

Al-Faiçal confirmou, enquanto isso, a assinatura de vários acordos entre EUA e Arábia Saudita durante a visita de Bush, um dos quais determina a cooperação em material nuclear, e outro para proteger a segurança das instalações petrolíferas sauditas contra possíveis ataques terroristas.

"Esse acordo é para a cooperação no treino e na troca de experiências (...) os que protegerão as instalações sauditas serão unicamente sauditas", esclareceu.

Por outro lado, Al-Faiçal, assim como o titular de petróleo saudita, Ali bin Ibrahim Al-Naimi, voltaram a atribuir a alta dos preços do petróleo, que alcançaram US$ 127 o barril, ao enfraquecimento do dólar e a motivos geopolíticos.

Bush, que chegou hoje à Arábia Saudita, procedente de Israel, deve continuar amanhã a viagem para o Egito, a terceira e última etapa de sua viagem pelo Oriente Médio. EFE fa/fb

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