Às vésperas de pleito, favoritismo governista cresce em Portugal

Emilio Crespo. Lisboa, 24 set (EFE).- O Partido Socialista (PS), governante em Portugal, tentou hoje evitar comentários precipitados sobre as eleições de domingo próximo, após saber dos resultados de uma pesquisa que, pela primeira vez na campanha, o aponta como claro favorito.

EFE |

"As eleições são vencidas com votos, não com pesquisas", afirmou o primeiro-ministro José Sócrates, com a aparente preocupação de que a abstenção possa diluir os mais de oito pontos de diferença para o Partido Social-Democrata (PSD, centro-direita) que a sondagem divulgada ontem aponta.

Porém, fora dos comícios e atos eleitorais, onde o lema parece ser não cantar vitória antes da hora, os socialistas, com 40% de apoio, começaram a sonhar até em conservar a maioria absoluta que conseguiu nas eleições legislativas de 2005 (45%).

A possibilidade, pesadelo de todos os partidos que cercam o PS pela direita e pela esquerda, é remota, segundo todas as pesquisas, mas os adversários de Sócrates não deixam de procurar as falhas nos quatro anos de poder socialista para tentar tirar votos dos rivais.

A principal oponente do primeiro-ministro, Manuela Ferreira Leite, minimiza também a importância das pesquisas e não se dá por convencida sobre um aparente desgaste fruto das polêmicas em que a centro-direita se viu envolvida.

As críticas ao projeto de trem de alta velocidade para a Espanha ou o caso de uma suposta espionagem governamental ao chefe de Estado, o conservador Aníbal Cavaco Silva, que acabou se voltando esta semana contra o PSD, não o ajudaram a ganhar apoios, mas a perder alguns pontos ao longo das pesquisas de setembro.

Ferreira Leite, porém, desqualificou as estatísticas e lembrou hoje que também as pesquisas prévias às eleições europeias de junho antecipavam uma vitória socialista.

Por outro lado foi o PSD, como ressaltou a política, que venceu a votação no pleito, no qual obteve o mesmo apoio, de 31%, que lhe dá a pesquisa de hoje, embora então tenha superado em cinco pontos os socialistas.

A ex-ministra de Cavaco Silva se declarou satisfeita com a forma que se desenvolveu sua campanha e insistiu, em um ato eleitoral, na distância que separa seus seguidores dos que defendem o PS, além de ter lembrado que os portugueses têm que decidir no domingo entre "duas opções muito diferentes".

O crescimento socialista na última parte da campanha não dissipou também as especulações sobre possíveis alianças eleitorais, caso se cumpram os prognósticos das pesquisas anteriores e nenhum dos dois grandes partidos lusos alcance uma maioria cômoda para governar.

Da esquerda, o líder comunista Jerônimo de Sousa, cuja coalizão com os verdes cai já para pouco mais de 7% de apoio, assegurou hoje que se houvesse oferta do PS, sua primeira resposta seria um "sim".

O ex-primeiro-ministro e ex-chefe de Estado Mário Soares, o socialista com mais experiência de Governo no país, corrigiu hoje suas afirmações anteriores de que não lhe "repugnaria" uma aliança com o Bloco de Esquerda, que tem um apoio de 9%, e frisou que qualquer acordo será pontual e só após a votação.

Tanto o Bloco como o PS se esforçaram nas últimas horas para deixar claro perante um eleitorado em que tentar mutuamente roubar votos, que não têm pactos secretos de Governo, como assegurou o PSD, nem estão inclinados a acercar seus muito diferentes programas. EFE ecs/rr

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