Às vésperas de debate, crise faz Obama disparar em pesquisas

Teresa Bouza. Washington, 24 set (EFE).- Pela primeira vez, o candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, apareceu nas pesquisas com uma clara vantagem sobre o republicano John McCain, às vésperas do primeiro debate eleitoral entre os dois adversários.

EFE |

Em uma pesquisa de hoje do jornal "The Washington Post" e da rede de TV "ABC", Obama tem nove pontos a mais que o senador pelo Arizona (52% contra 43%) entre os eleitores preocupados com a crise financeira do país.

Na semana passada, o democrata já havia tirado a leve vantagem que seu oponente obteve logo após a convenção do Partido Republicano. No entanto, até hoje, a diferença ficava dentro da margem de erro das projeções, o que deixava os dois tecnicamente empatados.

Bill McInturff, pesquisador republicano, minimizou hoje a importância dos novos dados, ao dizer que a corrida pela Presidência segue "dentro da margem de erro" na maioria dos 12 estados que deverão ser decisivos nas eleições de 4 de novembro.

"Olhando esses 12 estados, McCain tinha uma vantagem de um ponto na primeira semana de setembro, um de desvantagem na segunda e um de desvantagem até ontem. Surpreendentemente estável", comentou o especialista.

Independentemente das pesquisas, parece claro que a crise econômica virou uma aliada das aspirações presidenciais de Obama.

A situação econômica, que já aparecia como o assunto prioritário dos eleitores, ganhou ainda mais destaque: 50% dos eleitores acham que agora o tema é o que mais lhes preocupa, contra 37% há duas semanas.

Além disso, a maioria (53%) diz confiar mais em Obama que em McCain como um líder capaz de lidar com a pior crise dos últimos 80 anos.

Por conta disso, os assessores das duas campanhas acreditam que a economia acabará vindo à tona no debate de sexta-feira, embora o tema oficial seja política externa.

"Sempre esperamos que se discuta sobre comércio exterior e outros assuntos (econômicos)", disse à Agência Efe Doug Holtz-Eakin, principal assessor econômico de McCain, segundo quem, dada a atual situação, é previsível que surjam perguntas adicionais sobre a crise financeira, que já é de caráter internacional.

"O senador está preparado para responder todo tipo de perguntas, independentemente do tema oficial do debate, e esperamos a oportunidade de fazê-lo", destacou Holtz-Eakin em referência a McCain, que em um momento da campanha chegou a admitir que não entende muito de economia.

Expectativas semelhantes têm os assessores de Obama em relação à presença da crise financeira no confronto do fim da semana.

"Estou totalmente convencido de que o assunto que neste momento está na mente de todos os americanos será discutido sexta-feira no debate", disse à Efe Brian Deese, subdiretor econômico da campanha democrata.

Apesar disso, a política externa promete colocar um candidato contra o outro, sobretudo quando o assunto em pauta for o conflito no Iraque.

McCain foi um dos principais defensores da invasão do país árabe em 2003 e um dos legisladores que votaram a favor do envio de mais tropas à região este ano.

O senador acha que os soldados deveriam permanecer no Iraque até que a situação se estabilize e o Governo iraquiano assuma o controle da situação, o que atrasaria a conclusão do retorno da maioria das tropas para 2013.

Obama, por outro lado, se opôs à invasão do Iraque e prometeu que, se chegar à Casa Branca, começará a retirar tropas ao ritmo de um batalhão por mês, com o objetivo de finalizar a retirada em 16 meses.

Ambas as campanhas também esperam que as diferenças em comércio exterior entre os dois candidatos - McCain é um entusiasmado defensor do livre-comércio, enquanto Obama é mais protecionista - façam parte do debate.

A isso se somaria a situação no Irã, Afeganistão e Coréia do Norte, e as relações com Rússia, China e a América Latina, entre outros temas.

Os assessores de Obama disseram que o senador tentará vincular McCain com a fracassada política externa do atual ocupante da Casa Branca, George W. Bush.

Já os auxiliares de McCain vão querem evidenciar as diferenças entre este e Obama em assuntos como Iraque, comércio exterior e a visão de ambos no trato com aliados e inimigos.

Obama disse durante a campanha que, com preparativos sérios, se dispõe a se reunir com líderes de Irã, Cuba, Coréia do Norte e Venezuela, algo a que McCain se recusa. EFE tb/sc

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