As polêmicas revelações que Bogotá afirma estarem nos computadores das Farc

De compras de urânio e contatos para adquirir armas na Belarus a ligações com autoridades do Equador e da Venezuela: os arquivos que o governo colombiano diz ter encontrado em um acampamento da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) contêm, segundo Bogotá, revelações comprometedoras.

AFP |

A Interpol entregou nesta quinta-feira em Bogotá um relatório elaborado por especialistas em informática, segundo o qual estes arquivos não foram manipulados pela Colômbia, cujas autoridades haviam antecipado ter entregue cópias à Corte Penal Internacional e à justiça dos países envolvidos.

Os computadores foram encontrados na incursão militar feita por tropas colombianas que no dia 1º de março matou Raúl Reyes, número dois das Farc, em seu acampamento no norte do Equador, conforme divulgado por Bogotá.

O presidente colombiano Alvaro Uribe afirmou no início de março que uma das mensagens de Reyes ao chefe máximo da guerrilha, Manuel Marulanda, menciona "a ajuda eleitoral entregue a Rafael Correa" para as eleições que o levaram ao poder no Equador.

O diretor da polícia colombiana, general Oscar Naranjo, também garantiu que o computador contém resenhas de encontros de Reyes com o ministro da Segurança equatoriano, Gustavo Larrea.

Para provar as afirmações do governo, a imprensa colombiana publicou uma foto retratando um desses encontros, que depois verificou-se ser a imagem de uma reunião do dirigente comunista argentino Patricio Etchegaray com o falecido líder rebelde.

Em outra mensagem, que segundo a polícia colombiana foi escrita no dia 14 de fevereiro, Reyes insinua a outros membros do 'Secretariado'- a cúpula de sete membros das Farc - que o presidente venezuelano Hugo Chávez entregou 300 milhões de dólares à principal guerrilha colombiana.

Tanto Chávez quanto Correa qualificaram as afirmações do governo da Colômbia como mentirosas.

Outro documento encontrado aponta a intenção das Farc de negociar 50 kg de urânio para fins bélicos.

Poucas semanas depois, as autoridades colombianas descobriram perto de Bogotá vários quilos de urânio empobrecido, embora especialistas garantam que este não poderia ser usado para fabricar armas.

Da mesma forma, foi encontrada uma mensagem na qual é mencionada a manipulação de dinheiro da guerrilha na Costa Rica, que orientou a polícia colombiana para a descoberta de uma casa nas cercanias de San José, onde foram apreendidos 480.000 dólares.

Citando informações contidas nos computadores, as autoridades colombianas afirmam que as Farc possuem contatos com centenas de organizações em diferentes países, principalmente no México, Equador, Argentina, Peru, República Dominicana e Venezuela.

Entretanto, as mais polêmicas revelações permanecem não divulgadas, em relatórios filtrados no exterior pelos especialistas da Interpol.

O jornal americano The Wall Street Journal, que revisou cerca de 100 documentos, disse na semana passada que funcionários da inteligência americana consideraram legítimos os arquivos que ligam o presidente Chávez às Farc.

Já o jornal espanhol El País publicou no fim de semana uma série de artigos dizendo que a Venezuela tentou armar as Farc através de Belarus.

bur-hov/ap

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