As grandes etapas da luta contra o aquecimento climático

Estamos às vésperas da 14ª Conferência das Nações Unidas sobre a mudança climática, que será realizada de 1º a 12 de dezembro em Poznan (Polônia), e que faz parte de uma agenda que começou com a Eco-92, no Rio de Janeiro - um calendário voltado para a luta contra o aquecimento global.

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Seguem as principais etapas deste combate nos âmbitos científico e diplomático:

- 1988: Criação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC em inglês), pela Organização Meteorólogica Mundial e o Programa para o Meio Ambiente das Nações Unidas a pedido do G7 (os sete países mais industrializados). O IPCC nasceu da percepção de que a ação humana poderia estar exercendo uma forte influência sobre o clima do planeta e que era necessário acompanhar esse processo.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas é, hoje, um órgão composto por delegações de 130 governos para prover avaliações regulares sobre a mudança climática.

- 1990: O IPCC tem publicado diversos documentos e pareceres técnicos. O primeiro Relatório de Avaliação sobre o Meio Ambiente (Assessment Report, ou simplesmente AR) foi publicado em 1990 e reuniu argumentos em favor da criação da Convenção do Quadro das Nações Unidas para Mudanças do Clima (em inglês, UNFCC), a instância em que os governo negociam políticas referentes à mudança climática. Seguiram-se outros relatórios divulgados em 1995, 2001 e 2007 - confirmando a responsabilidade humana no aumento do efeito estufa responsável pelo aquecimento constatado no século XX, sobretudo através da emissão de gases como o dióxido de carbono (CO2), óxido nitroso (N2O) e metano (CH4).

- 1992: Adoção no Rio da da Convenção do Quadro das Nações Unidas para Mudanças do Clima (em inglês, UNFCC) pela qual os 192 Estados participantes, hoje signatários, se declaravam "resolvidos a preservar o sistema climático para as gerações presentes e futuras".

- 1997: Conclusão do Protocolo de Kyoto ratificado por 183 Estados. Entrando em vigor em fevereiro de 2005, impõe a 37 países industrializados e à União Européia objetivos de reduções das emissões dos seis principais gases de efeito estufa entre eles o CO2, além do metano, óxido nitroso e outros três gases fluorados (HFC, PFC, SF6) no período 2008-2012.

- 2001: Os Estados Unidos, responsáveis por um quarto das emissões mundiais dos Gases de Efeito Estufa, rejeitam o Protocolo de Kyoto que consideram muito caro para a sua economia e "injusto", uma vez que nem a China nem os grandes países emergentes se submeteram às obrigações de redução desses gases.

Os Estados Unidos são hoje o único país industrializado a não ter ratificado o protocolo de Kyoto.

- 2007: O 4º relatório do IPCC estima que até o fim deste século a temperatura da Terra deve subir entre 1,8ºC e 4ºC, o que aumentaria a intensidade de tufões e secas. Nesse cenário, um terço das espécies do planeta estaria ameaçada. Populações estariam mais vulneráveis a doenças e desnutrição.

O grupo também calcula que o derretimento das camadas polares pode fazer com que os oceanos se elevem entre 18 cm e 58 cm até 2100, fazendo desaparecer pequenas ilhas e obrigando centenas de milhares de pessoas a engrossar o fluxo dos chamados refugiados ambientais - pessoas que são obrigadas a deixar o local onde vivem em conseqüência da piora do meio ambiente.

A estimativa do IPCC é de que mais de 1 bilhão de pessoas poderia ficar sem água potável por conta do derretimento do gelo no topo de cordilheiras importantes, como o Himalaia e os Andes.

ach/mpf/sd

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