As encíclicas pontícias que marcaram a história

Um total de 296 encíclicas foram publicadas pela Igreja católica no curso dos últimos dois séculos, algmas das quais marcaram a história da humanidade como a Rerum novarum, de Leão XIII (1891), na qual foram denunciadas as condições desumanas de trabalho da classe operária.

AFP |

Para entender o impacto político e a importância desse encíclica, é preciso levar em conta o momento histórico do Papa Leão XIII, que assumiu o pontificado em plena revolução industrial, a grande transformadora das relações de trabalho no mundo.

Ante a terrível exploração trabalhista dos operários no final do século XIX, a Igreja católica se viu obrigada a responder com um documento onde explicava como era a situação operária, defendendo a justiça social e os trabalhadores.

A solução proposta, chamada de Carta Magna do Trabalho, teve uma grande influência, já que envolvia o Estado, a Igreja, o trabalhador e o empresário para que trabalhassem juntos.

"É desumano abusar dos homens, como se fossem coisas, para tirar proveito deles", afirmava o texto.

A primeira encíclica da história foi assinada por Bento XIV em 1740, que apenas eleito ao Trono de Pedro, publicou a "Urbi primum" sobre a função dos bispos.

As encíclicas, que constituem o corpo doutrinário que define a posição da Igreja católica sobre assuntos-chave, nascem como "cartas circulares" do Papa dirigidas a todos os bispos e fiéis sobre argumentos muito diferentes e sua versão oficial é sempre em latim.

Muitas encíclicas serviram para denunciar erros e condenar tendências e movimentos, como o ateísmo, a maçonaria e o modernismo.

Quase todos os pontífices da era moderna escreveram várias encíclicas, entre eles Leão XIII (1878-1903), que escreveu 86. Em seguida vieram Pio XII (1939-1958) com 41, Pio IX (1846-1878), com 38, e Pio XI (1922-1939), com 32.

Pio X (1903-1914) assinou 16, Bento XIV (1740-1758) escreveu 13, Bento XV (1914-1922) redigiu 12, João XXIII (1958-1963) foi autor de 8 encíclicas e Paulo VI (1963-1978) publicou 7.

O falecido João Paulo II escreveu apenas 14 encíclicas de 1978 a 2005, entre elas "Redemptor hominis", em 1979, sobre o Cristo Redentor e a dignidade do homem, consagrada à defesa dos direitos humanos.

Entre as encíclicas memoráveis figuram a "Pacem en terris" (Paz na Terra) de João XXIII, escrita em 1963, que convidada à paz entre todas as nações e condenava a corrida armamentista, enquanto imperava a chamada Guerra Fria.

"É impossível pensar pensar que na era atômica a guerra possa ser utilizada como instrumento de justiça", afirmou João XXIII.

Outra encíclica papal de teor social foi a de Paulo VI "Populorum progressio", publicada em 1967, sobre o "progresso dos povos", na qual a Igreja reconhecia que apenas com o desenvolvimento social se pode alcançar a paz entre os povos.

A terceira encíclica de Bento XVI se entrelaça com a "Populorum Progressio" (1967) de Paulo VI e com a "Centesimus Annus" (1991) de João Paulo II, a fim de examinar a globalização.

Nela, o Papa pede ao mundo, no início do terceiro milênio, que se governe a globalização com ética e se crie uma nova e verdadeira autoridade política mundial baseada na solidaridade e caridade.

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