As anotações de seu médico ao alcance do mouse

Projeto está estudando o livre acesso dos pacientes às suas anotações médicas

Reuters |

Antes de sua próxima consulta, você gostaria de ler tudo o que seu médico escreveu sobre você e sua saúde?

Pesquisadores estão apostando que a resposta é sim – ou que, na pior das hipóteses, se o paciente experimentasse a prática iria aprová-la. Por conta disso, já está em teste um novo sistema que permitirá ao paciente ter acesso as anotações médicas sobre sua consulta através da internet.

“Nossa idéia geral é melhorar e expandir o diálogo médico-paciente”, disse à Reuters um dos principais pesquisadores do estudo, Jan Walker – instrutor da Faculdade de Medicina de Harvard e do Centro Médico Beth Israel em Boston.

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Médico e paciente: anotações ao alcance de um clique
Além do Beth Israel, outros dois hospitais – o Sistema de Saúde Geisinger, de Danville, Pennsylvania, e o Centro Médico Harborview de Seattle – participam do estudo clínico, chamado de OpenNotes Project. Mais de 100 médicos e cerca de 25.000 pacientes dos três hospitais testarão o novo sistema por um período de um ano.

No Open Notes o paciente poderá consultar as anotações em seu computador e compartilhá-las com sua família e amigos de sua escolha. Ele também poderá acessar as informações no computador de uma biblioteca ou hospital caso não tenha um em casa, o que é o caso de cerca da metade dos pacientes do Harborview.

Depois de testar o sistema por um ano, os pesquisadores perguntarão aos pacientes e médicos envolvidos sobre suas experiências – mais especificamente, se os pacientes gostariam de continuar a ter total acesso online as anotações de suas consultas, e se os médicos gostariam de seguir fornecendo-as aos pacientes. O projeto OpenNotes foi idealizado neste verão do hemisfério norte, e os pesquisadores explicam a ideia por trás do estudo em artigo publicado na ultima edição da publicação Anais de Medicina Interna.

Os autores do artigo explicam que o paciente é legalmente autorizado a consultar as anotações de seu médico, mas muitos precisam de grandes esforços para conseguir isso. Walker explicou que alguns convênios médicos cobram do paciente pelo fornecimento de cópias das anotações, enquanto outros apenas permitem que as anotações sejam lidas se o paciente estiver em companhia de um médico. Na opinião de Walker, saber todas as informações sobre sua saúde seria o mesmo que saber o que consta em sua conta bancária.

Os pesquisadores predizem que o fácil acesso as informações ira beneficiar tanto pacientes quanto médicos, além de permitir que os pacientes se envolvam mais em seus cuidados com a saúde. Alguns pacientes concordam.

“O acesso às informações muda por completo a forma como o paciente pode contribuir em uma situação de tratamento médico”, disse Dave deBronkart, também conhecido como “e-patient Dave” – blogueiro proeminente que escreve sobre a relação médico-paciente desde sua recuperação de um câncer de rim em estado avançado e um dos participantes do estudo.

deBronkart já passou por sua primeira consulta médica como parte do estudo e disse que o novo sistema fez uma diferença imediata. Ele conta que algumas semanas depois de sua consulta, se lembrava vagamente do que o médico tinha dito e por isso acessou as anotações online.

“Aquilo acabou sendo bastante significativo, pois eu tinha uma mancha áspera na testa, o que ele acreditava ser uma lesão pré-cancerígena, e eu tinha me esquecido de removê-la depois da consulta”, contou o blogueiro à Reuters.

Delbanco afirma que o custo operacional do sistema seria mínimo para os hospitais que já contam com cadastros eletrônicos. Alguns médicos disseram à equipe de pesquisa que temiam que os pacientes tirassem conclusões errôneas ou tivessem reações exageradas em relação a algumas informações contidas nas anotações – e nem todos os pacientes gostariam de saber tudo o que o médico escreveu sobre eles.

Os pesquisadores, porém, esperam que as vantagens superem as desvantagens, acreditando que o acesso do paciente às anotações do médico represente um passo na estrada em direção a uma maior interação médico-paciente.

* Por Genevra Pittman

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