Londres, 28 nov (EFE).- Um artista performático chamado Mark McGowan representará sábado, em uma estação do metrô de Londres a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, baleado em 22 de julho de 2005 por agentes da Polícia Metropolitana britânica que lhe confundiram com um terrorista.

Segundo explicou o próprio McGowan à Agência Efe, se trata de chamar a atenção das pessoas, "que só parecem se preocupar com o Natal ao "Fator X" (versão britânica de "Operação Triunfo"), sobre a morte com Jean Charles".

"A Polícia metralhou-o e depois mentiu e tratou de camuflar os fatos, dizendo que era um imigrante ilegal, que tinha saído correndo e tinha saltado as barreiras do metrô", perseguido pela Polícia, "nada do qual era certo", disse McGowan.

O responsável da Scotland Yard nesse momento era Ian Blair, que abandonou finalmente o cargo nesta semana após ser acusado de tolerar situações de racismo dentro da corporação embora ele mesmo atribua sua saída a motivos políticos.

McGowan explicou à Efe que não interpretará a vítima nem a nenhum dos policiais que atiraram sete vezes contra sua cabeça na estação do metrô de Stockwell, mas se limitará a dirigir seus improvisados atores, entre eles uma idosa japonesa e uma italiana, todos os quais levarão o rosto tapado por caixas de papelão.

O órgão responsável pelo transportes londrinos, Transport for London, disse para ele não realizar sua performance, patrocinada pela galeria Guy Hilton, e ameaçou chamar a polícia caso ele persistir.

McGowan já fez todo tipo de performances de protesto, de comer uma raposa ou arranhar vários carros estacionados com uma chave até ir ajoelhado de Londres a Canterbury.

Em certa ocasião, permaneceu durante duas semanas em uma banheira com duas batatas fritas introduzidas nos buracos do nariz e 40 salsichas atadas à cabeça, tudo isso para defender os típicos hábitos alimentares britânicos contra as críticas por eles facilitarem a obesidade.

Outra ação consistiu em beijar 100 mil vezes uma foto de então primeiro-ministro Tony Blair frente à sua residência oficial, no número 10 de Downing Street.

Na Itália, McGowan arrastou um aparelho de televisão com uma corda atada à orelha da estação central de Milão até a residência do primeiro-ministro desse país, Silvio Berlusconi, para denunciar seu controle dos meios de comunicação.

Vestido de guarda de trânsito em uma galeria de arte, o artista convidou, em outra ocasião, os membros do público a descarregar sua ira golpeando-o com paus. EFE jr/jp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.