Artilharia israelense entra em ação em Gaza, 16 mortos em mesquita

Pela primeira vez desde o início de sua guerra contra o Hamas, há uma semana, Israel utilizou sua artilharia contra o movimento radical palestino, e sua aviação bombardeou uma mesquita, matando 16 palestinos.

AFP |

A ofensiva israelense contra o Hamas, que controla Gaza, matou até agora pelo menos 460 palestinos, entre eles 75 crianças e 21 mulheres, e feriu 2.350, segundo fontes médicas palestinas.

Tanques israelenses foram vistos se deslocando na direção da fronteira oriental da Faixa de Gaza, bombardeada em vários pontos pela artilharia do Estado hebreu. Beit Hanun e Jabaliya (norte), assim como o setor de Khan Yunis (sul), foram os principais alvos, segundo testemunhas.

Um jornalista da AFP viu dezenas de obuses sendo disparados contra o norte do território palestino, sobrevoado por aviões israelenses.

Esta é a primeira vez que a artilharia israelense entra em ação desde o início da guerra contra o Hamas, em 27 de dezembro. Assim, uma ofensiva terrestre parece cada vez mais iminente.

Questionado pela AFP, um porta-voz militar se recusou a fazer comentários, limitando-se a declarar que "a operação segue seu curso".

Em mensagem divulgada em sua rádio interna, o Hamas ameaçou seqüestrar soldados israelenses em caso de ofensiva terrestre. "Se os israelenses entrarem em Gaza, Gilad Shalit terá novos amigos", avisou, em referência ao cabo israelense capturado em 25 de junho de 2006 por um comando palestino e mantido desde então em um cativeiro secreto na Faixa de Gaza.

Na véspera, o líder do Hamas, Khaled Mechaal, advertira Israel para um "destino sombrio" se entrasse em Gaza.

Até hoje, Israel tinha se limitado a bombardear a Faixa de Gaza por ar e mar, conduzindo mais de 750 ataques desde sábado passado.

Durante o mesmo período, cerca de 500 foguetes palestinos disparados desde a Faixa de Gaza mataram quatro pessoas em Israel, entre eles um soldado, e feriram outras 15, segundo o Exército e a Polícia do Estado hebreu.

Na noite deste sábado, pelo menos 16 palestinos, entre eles quatro crianças, morreram, e outras 60 ficaram feridas, em um ataque aéreo israelense contra uma mesquita do campo de refugiados de Jabaliya, onde estavam cerca de 200 fiéis, segundo testemunhas e fontes médicas.

O Exército israelense bombardeou várias mesquitas em Gaza, utilizadas segundo ele como esconderijos de armas e foguetes.

Mais cedo neste sábado, quatro palestinos morreram em ataques aéreos, entre os quais um líder local do braço armado do Hamas acusado pelo Exército israelense de organizar os disparos de foguetes contra o sul de Israel.

A aviação israelense também bombardeou um escola em Beit Lahya (norte), alegando que o edifício era utilizado "como base de lançamento de foguetes e esconderijo para chefes do Hamas".

Mais de 40 ataques aéreos foram lançados contra Gaza neste sábado, e pelo menos 15 foguetes disparados contra o sul de Israel, segundo o Exército israelense. Três pessoas foram feridas em Ashdod e Netiviot, respectivamente a 30 km e 20 km da Faixa de Gaza.

A ofensiva israelense também provocou uma séria deterioração da situação humanitária na Faixa de Gaza, um território densamente povoado que já era pobre antes da guerra.

"A situação em Gaza é terrível, e muitos produtos alimentares básicos já não estão mais disponíveis", alertou Christine van Nieuwenhuyse, representante do Programa Alimentar Mundial (PAM) nos territórios palestinos.

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, exortou todas as partes que têm alguma influência sobre o Hamas a se esforçarem para convencer o movimento a parar com seus disparos de foguetes.

Washington também ressaltou que seu aliado israelense é livre de decidir ou não lançar uma ofensiva terrestre na Faixa de Gaza, limitando-se a pedir a Tel Aviv que evite ao máximo vítimas civis.

No âmbito diplomático, uma missão da União Européia (UE) liderada pelo ministro tcheco das Relações Exteriores, Karel Schwarzenberg, cujo país preside atualmente a UE, é aguardada domingo no Oriente Médio para discutir sobre um cessar-fogo.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, chegará segunda-feira à região. No mesmo dia, ele manterá uma reunião com o presidente palestino, Mahmud Abbas, na Cisjordânia. Abbas viajará em seguida a Nova York para defender na ONU a necessidade de uma trégua. De acordo com um dirigente palestino, Yasser Abed Rabbo, Sarkozy é portador de uma "importante iniciativa na perspectiva de um cessar-fogo".

As manifestações de apoio à população de Gaza continuaram em várias capitais européias e árabes. Além disso, dezenas de milhares de árabes israelenses foram às ruas no norte de Israel para protestar contra os ataques em Gaza.

bur/yw

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