Ártico está no seu momento mais quente em dois mil anos

WASHINGTON - As emissões de gases do efeito estufa fizeram com que na última década o Ártico atingisse seu momento mais quente dos últimos dois mil anos, revertendo uma tendência natural de resfriamento que deveria ter durado mais quatro milênios.

Reuters |


O dióxido de carbono e outros gases emitidos pelas atividades humanas se sobrepuseram a um ciclo de 21 mil anos vinculado a mudanças graduais na órbita terrestre em torno do Sol, segundo artigo publicado na quinta-feira na revista Science.

"Acho que isso realmente salienta como o Ártico é sensível à mudança climática e é realmente o lugar onde se pode ver primeiro o que está acontecendo com o sistema (climático) e como o resto da Terra irá ou deverá acompanhar," disse por telefone David Schneider, do Centro Nacional dos EUA para a Pesquisa Atmosférica, um dos autores do estudo.

O grande resfriamento começou há cerca de sete mil anos, e as temperaturas do Ártico atingiram seu menor nível durante a chamada "Pequena Era do Gelo," que durou do século 16 até meados do século 19, coincidindo com o começo da Revolução Industrial.

Essa tendência de resfriamento foi causada por uma inclinação característica da órbita da Terra, que muito gradualmente afastou o Ártico do Sol durante o verão boreal. A Terra agora está um milhão de quilômetros mais longe do Sol durante o inverno do Ártico do que há dois mil anos, disse Darrell Kaufmann, da Universidade do Norte do Arizona.

O resfriamento deveria ter continuado durante os séculos 20 e 21 e mesmo depois, como parte desse ciclo de 21 mil anos. As novas pesquisas confirmam que isso não aconteceu.

"Se não fosse o aumento dos gases do efeito estufa produzidos pela atividade humana, as temperatura de verão no Ártico deveriam ter se resfriado gradualmente durante o último século," disse em nota Bette Otto-Bliesner, uma das co-autoras, do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos EUA.

O que acontece no Ártico não se restringe àquela região, já que ela é o chamado "ar condicionado" da Terra. Quando o oceano Ártico se descongela no verão, ele expõe a superfície escura da água, que absorve mais energia solar ao invés de refleti-la, contribuindo ainda mais para o aquecimento global.

O aquecimento do Ártico também afeta as geleiras em terra; se elas derretem, isso contribui com a elevação global do nível dos mares.

O aquecimento dessa área também descongela o solo que habitualmente ficaria sempre congelado, o chamado de permafrost, o que lança metano, um poderoso gás do efeito estufa, na atmosfera.

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