Arte corre pelas veias dos metrôs do mundo

Almudena Serpis. Redação Central, 13 jul (EFE).- Muitos turistas não esperam o metrô contando os minutos, mas admirando obras de arte, já que as redes mundiais deste tipo de transporte se transformaram em atrativo turístico, com extensas exposições subterrâneas, que apresentam até arte viva.

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Na estação de Montebello, em Lille, na França, peixes coloridos observam os passageiros em seus aquários nas paredes de pedra sobre um solo de madeira.

"A arte no metrô está cada vez mais sofisticada. Não há dúvida de que se tornou mais moderna e experimental, para chamar a atenção de um público muito amplo e que muitas vezes passa às pressas", explicou o assessor de imprensa da agência de arte nova-iorquina Creative Time, Nicholas Weist, à Agencia Efe.

Algumas cidades guardam verdadeiras joias no metrô: a estação de Chamberí em Madri, inaugurada em 1966, se transformou em uma estação-museu em março de 2008 e suas instalações exatamente como era no início do século podem ser visitadas.

Também em Madri, a estação de El Retiro esconde uma sala de exposição fotográfica: a Expometro.

Estas estações cheias de arte oferecem a criadores de todo o mundo um lugar perfeito para expor suas obras.

A "Arts for Transit", da agência estadual de transportes de Nova York, emprega artistas, como músicos, fotógrafos, escultores e pintores para decorar e dar vida a suas estações.

"O melhor lugar para promover a obra de qualquer artista é onde mais pessoas a verão. Esse lugar muitas vezes é o metrô", diz Weist.

Grandes desenhistas como Norman Foster (que desenhou a ponte Millenium Bridge de Londres e a Hearst Tower de Nova York) participaram de projetos como o do metrô da cidade espanhola de Bilbao e o da estação de Canary Wharf de Londres.

A estrutura de ferro da estação de estação de Brin, em Gênova, na Itália, foi desenhada pelo criador do Centro Pompidou de Paris, o arquiteto Renzo Piano.

A estação multicor de Olaias em Lisboa é obra do famoso arquiteto português Tomás Taveira e um grupo de artistas. Juntos, eles criaram uma estação de estética modernista espetacular para a Expo'98.

Assim, muitos turistas viajam sem saber o que vão encontrar nas profundezas do metrô e se deparam com verdadeiras surpresas.

É o caso de estações como a de Montebello, em Lille, na França, com seus peixes colorido, segundo Bruno Cappelle, do escritório de turismo da cidade, explicou à Efe.

"Em cidades como Lille, o desenho único de suas estações de metrô são um segredo escondido que se tornam um prazer visual diário para seus habitantes e uma descoberta para os turistas", disse.

Mais de 50 metrôs do mundo contam com uma arquitetura e desenho únicos. A cidade de Atenas tem um museu subterrâneo com arte inspirada na antiga Grécia. A estação da Acrópole, por exemplo, inclui uma exibição permanente com cópias do Partenón e réplicas de esculturas milenares exibidas no Museu Britânico, em Londres.

O metrô de Berlim leva os passageiros por um tour subterrâneo puramente artístico, misturando estações cheias de modernismo, pós-modernismo, pop art e purismo, com outras de inspiração histórica como a do Märkisches Museum, cujas paredes são cheias de história em forma de murais.

O metrô de Kiev, na Rússia, tem estações surrealistas, como a de Pecherskaya, que se parece com uma nave espacial, enquanto as de Montreal são decoradas com centenas de obras em seus túneis, plataformas e vagões.

Em Estocolmo, a estação de T-Centralen foi desenhada em 1975 usando o teto de pedra natural para criar um céu de traços azulados.

Em Teerã, as plataformas da estação têm um ar glamuroso, graças às suas paredes brilhantes, com cores metálicas.

Seja onde for, a arte está migrando para o subsolo. EFE as/pd

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