Arruda se defende de acusações de corrupção

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, se defendeu nesta segunda-feira das acusações de que ele estaria envolvido em um suposto esquema de pagamento de propinas para a base aliada e disse que todos os recursos recebidos por sua campanha entre 2004 e 2006 foram regularmente registrados ou contabilizados. Arruda leu um comunicado com sua defesa no início da noite desta segunda-feira, pouco após ter se reunido com a cúpula de seu partido, o Democratas, em Brasília.

BBC Brasil |

No comunicado, o governador descarta se afastar do cargo e afirma que o diálogo que ele teria tido com o ex-secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa, que denunciou o suposto esquema, foi "conduzido para passar uma versão previamente estudada".

No diálogo, que teria sido gravado por Barbosa no último de 21 de outubro, os dois discutiriam o suposto esquema de pagamentos ilegais.

Em sua defesa, o governador ainda afirma que "defeitos" do aparelho de gravação "acabaram por truncar e comprometer o teor e o sentido da conversa".

Impeachment
Também nesta segunda-feira, a Ordem dos Advogados do Brasil decidiu que colocará em votação a possibilidade de pedir o impeachment do governador do Distrito Federal.

A matéria será analisada pelo Conselho Pleno da seção da OAB do Distrito Federal na próxima quinta-feira.

Se for aprovado, o pedido de abertura do processo de impeachment será encaminhado para a Câmara Legislativa do DF.

Já o PSOL emitiu um comunicado afirmando que pretende protocolar nesta terça-feira um pedido de impeachment do governador e de seu vice, Paulo Octávio, além de propor o afastamento de todos os parlamentares acusados de envolvimento no esquema.

Aliados
Também nesta segunda-feira, PDT, PPS e PSB, partidos que faziam parte da base de apoio de Arruda, anunciaram estarem deixando o governo e orientarem seus membros a entregarem seus cargos na administração do Distrito Federal.

A executiva regional do PSB no Distrito Federal divulgou uma nota na qual orienta seus militantes no "engajamento no processo de afastamento do atual governador e seu vice".

A agremiação também anunciou a abertura de um processo de natureza ética para apurar as denúncias contra um deputado do partido citado nas investigações.

Já o PPS também determina que seus filiados entreguem os cargos que ocupam na administração do DF e defende que Arruda não tem "condições necessárias" para continuar no governo "enquanto as denúncias não forem completamente esclarecidas".

O PDT também ordenou que seus quadros se retirem do governo Arruda e afirmou que lançará candidatura própria ao governo do DF nas eleições de 2010.

Acusações
Na última sexta-feira, 27 de novembro, a Polícia Federal deflagrou a chamada Operação Caixa de Pandora, que investiga um suposto esquema de pagamento de propinas que envolveria Arruda e outras autoridades do governo do Distrito Federal.

De acordo com o inquérito da PF, Arruda estaria envolvido em pagamentos ilegais a deputados da base aliada na Câmara Legislativa do DF e a outros políticos.

Em uma gravação feita pelo ex-secretário de Relações Institucionais do DF, Durval Barbosa, Arruda solicitaria a distribuição de dinheiro proveniente de empresas que têm contratos com o governo a políticos aliados.

Barbosa passou a colaborar com a Justiça após começar a ser investigado por outras irregularidades.

Ele foi afastado do governo do Distrito Federal após a revelação das denúncias.

Em outro vídeo gravado por Barbosa em 2005, Arruda, que era então deputado federal, aparece recebendo dinheiro. Outras imagens mostram aliados do governador recebendo quantias.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG