Sankt Pölten (Áustria), 19 mar (EFE).- Com uma declaração de arrependimento por parte do acusado e a advertência da Promotoria de que esta é apenas uma estratégia, ficou para hoje a definição da sentença do austríaco Josef Fritzl por ter trancafiado e abusado sexualmente da filha Elisabeth durante 24 anos.

"Arrependo-me de todo coração do que fiz a minha família", disse Fritzl - conhecido como "Monstro de Amstetten" - ao ser perguntado pela juíza que dirige o caso se tinha algo mais a dizer.

"Não posso mais fazer nada para consertar o que aconteceu, apenas diminuir os danos", concluiu o réu com a voz embargada, antes que o júri se retirasse para decidir se o declara culpado ou inocente das acusações que recaem sobre ele, entre elas assassinato por omissão de socorro, escravidão e estupro.

Com a sala ocupada por um número restrito de veículos de comunicação, entre eles a Agência Efe, a sessão de hoje começou com a leitura das perguntas sobre as acusações, as quais os oito componentes do júri popular deverão responder para definir seu veredicto.

Christiane Burkheiser, a jovem promotora responsável pelo caso, insistiu ao júri em que, para considerar o réu culpado de assassinato, não é necessário que este desejasse a morte de Michael, um dos filhos que teve com Elisabeth, mas simplesmente que isso lhe fosse "indiferente".

Além disso, a promotora disse que o neonatólogo que testemunhou a respeito afirmou que "qualquer leigo sabe que o recém-nascido agonizou" até morrer dois dias e meio depois de nascer.

Burkheiser pediu ao júri para que "não se deixe enganar" pela confissão de culpa que Fritzl fez ontem, mudando assim sua declaração inicial de "inocente" das acusações de assassinato e cárcere privado.

Para a promotora, essa confissão é apenas uma tentativa de reduzir sua pena.

Mais dramática foi a alegação de Eva Plaz, advogada de Elisabeth, que solicitou que Fritzl seja responsabilizado pela morte do recém-nascido ao qual sua filha deu à luz no porão de casa.

O advogado de Fritzl, Rudolf Mayer, acusou a Promotoria de apelar para os sentimentos e não aos fatos, insistindo na sinceridade da confissão de seu cliente.

Mayer disse que a decisão pela confissão foi tomada na terça-feira, após Fritzl ver o vídeo com o testemunho incriminativo de Elisabeth e que, ao perceber que a vítima estava presente, o acusado cedeu.

Desta forma, o advogado confirmou os rumores de que Elisabeth compareceu à Audiência Provincial de Sankt Pölten na quarta-feira e foi testemunha da reação do pai.

Mayer manifestou que, nas anotações do calendário de Elisabeth, são citados o nascimento do bebê, como Fritzl levou um berço até o porão, como lhe deram nome e finalmente, a morte da criança.

Um sequência que, segundo o advogado, revela que ambos confiavam em que o bebê continuaria vivendo. Além disso, Mayer garante que seu cliente só desceu ocasionalmente ao porão durante esses dois dias e meio, e negou que este possa ser responsabilizado pela omissão.

Mayer pediu ao júri que leve em conta os "sentimentos de culpa" que, segundo o magistrado, Fritzl sempre teve, assim como o fato de que tem 73 anos.

Por fim, o advogado lembrou que o relatório psiquiátrico diagnosticou uma grave alteração de personalidade do acusado. EFE As/bba/an

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.