México, 12 ago (EFE).- Arqueólogos de várias nações questionaram hoje, no México, a teoria de que o homem chegou pela primeira vez à América pelo estreito de Bering, após descobertas no continente que apontam para outras hipóteses.

Estas teorias serão debatidas entre 18 e 22 de agosto, na capital mexicana, durante o 4º simpósio internacional El Hombre Temprano en América, organizado pelo Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH) e que hoje foi apresentado por seus organizadores em entrevista coletiva.

"Já na época dos conquistadores, o padre Acosta (um religioso) menciona que o homem devia ter chegado por terra à América", citou o antropólogo coordenador do evento, José Concepción Jiménez.

Esta teoria se apresentou pela primeira vez com rigor acadêmico em 1937, pelo arqueólogo americano de origem tcheca Ales Hrdlicka, prosseguiu Jiménez.

Segundo Hrdlicka, a povoação da América teria ocorrido a partir do nordeste da Ásia durante a última glaciação, que começou há 100 mil anos, e terminou há 12 mil.

Neste período, teria se formado o Estreito de Bering, que separa a península de Kamchatka (Rússia) do Alasca (EUA) e é salpicado por um grupo de ilhas chamadas Aleutianas, uma "ponte" de gelo e terra cuja formação se deu por causa do reduzido nível do mar -90 metros menos do que na atualidade- e das baixas temperaturas.

A teoria de Hrdlicka, a de maior aceitação ao longo da história, sustenta que esta "ponte" teria sido a plataforma utilizada pelo homem para chegar pela primeira vez à América.

No entanto, os últimos avanços tecnológicos, especialmente a possibilidade de datar ossos humanos com baixa margem de erro com o método do carbono 14, fazem com que a comunidade científica ponha em dúvida a veracidade da teoria.

"Agora se fala, com dados muito concretos, de 20 mil anos como a data na qual os primeiros humanos chegaram à América", explicou na entrevista coletiva o antropólogo Gabriel Saucedo, que disse que "até há pouco se falava de 40 mil anos".

A partir dessa data e dos dados apresentados mediante esta tecnologia, a evidência é que os restos ósseos humanos mais antigos que apareceram na América estão no México e têm 12.700 anos de antiguidade.

"Se a povoação tivesse ocorrido através de Bering, os restos mais antigos apareceriam na América do Norte. No entanto, não foi lá que foram encontrados", destacou Saucedo. EFE mps/gs

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