Arqueólogos escavam ferramentas de 35 mil anos na Austrália

SIDNEY, Austrália - Um pedaço de rocha do tamanho de um celular pequeno e centenas de afiadas facas escavadas de um profundo abrigo rochoso na Austrália datam de pelo menos 35 mil anos, afirmaram os arqueólogos responsáveis nesta segunda-feira. Enquanto os cientistas proclamavam o achado como sendo um dos sítios arqueológicos mais antigos descobertos no país, um aborígene local afirmou que isso representa a comprovação do que seu povo sempre afirmou - de que habitam a Austrália há centenas de milhares de anos.

AP |

As ferramentas, juntamente com sementes, cascas e outros materiais orgânicos, foram encontradas há quase dois metros de profundidade abaixo de um abrigo rochoso na borda de uma mina de ferro no remoto noroeste australiano, próximo à cidade de Perth, capital do distrito Ocidental. As escavações foram feitas entre outubro e fevereiro por arqueólogos da Australian Cultural Heritage Management que foram contratados pelos aborígenes locais para descobrir e preservar sítios de sua herança cultural dentro de minas exploradas pela companhia Rio Tinto.

O arqueólogo Neale Draper afirmou que as ferramentas incluem ao menos uma peça "maravilhosamente talhada" da qual lâminas afiadas foram retiradas. Ele espera que um teste realizado nas lâminas possa revelar resíduos dos alimentos cortados por ela. "Sítios muito antigos são uma raridade e este é um dos mais antigos" nesta região, afirmou Draper ao telefone. Segundo ele os sítios mais antigos encontrados na Austrália datam de "20 mil anos atrás mais ou menos".

"De repente nos deparamos com 35 mil. Estamos construindo a imagem dos primeiros australianos, quem eles eram e o que faziam há muito, muito, muito tempo", disse Draper.

Segundo ele sua equipe enviou outros materiais para análises de carbono - incluindo uma peça de carvão vegetal que foi encontrada em uma camada inferior de terra.

"Esse material pode ter outros 5 mil a 10 mil anos de idade e isso é empolgante", disse Draper, acrescentando que dezenas de outros abrigos na área também serão escavados.

Iain Davidson, professor de arqueologia da Universidade de New England em Armidale, Austrália, afimou que o achado é significativo pois confirma que pessoas ocuparam áreas áridas da Austrália antes do que se acreditava e que se adaptaram e estabeleceram nelas.

"Isso amplia significativamente a data da ocupação" da remota região de Pilbara, disse Davidson. "Eles aprenderam a sobreviver muito rapidamente".

Os aborígenes australianos já foram chamados de a cultura contínua mais antiga do mundo; outros sítios arqueológicos no país datam sua presença a mais de 40 mil anos.

Agora eles fazem parte de uma minoria empobrecida de 450 mil pessoas, na população atual de 21 milhões na Austrália. Eles lutam para recuperar suas terras tradicionais desde do começo dos anos 1990, quando a corte suprema do país passou a permitir tais exigências.

Rio Tinto, que tem expandido sua mineração, parou os trabalhos quando o sítio arqueológico foi descoberto, afirmou o porta-voz da companhia Gervase Greene. Segundo ele a empresa apoiara projetos de construção que preservem o abrigo.

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