México, 25 fev (EFE).- Arqueólogos mexicanos encontraram 120 esqueletos de até 1.

885 anos de antiguidade em uma lagoa de uma caverna maia (que são conhecidas como cenotes), no estado de Quintana Roo, no caribe mexicano, informou hoje o Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH).

A fonte disse que a lagoa, chamada de Las Calaveras ("As Caveiras"), com 30 metros de diâmetro, "poderia ser o depósito funerário melhor conservado da época pré-hispânica, e o de maior concentração de esqueletos humanos da área maia".

Até o momento foram encontradas 120 ossadas, e os arqueólogos que trabalham no local acreditam que o número deve chegar pelo menos a 150 com o prosseguimento das investigações.

A arqueóloga Carmen Rojas informou que os esqueletos são de pessoas que morreram entre os anos 125 e 236, mais antigos que os encontrados em uma lagoa semelhante em Chichén Itzá, no estado de Iucatã.

Rojas disse que até antes da descoberta, o cenote de Iucatã era o que tinha maior número de ossadas. Os antigos maias usavam esses lagos como depósitos funerários.

"Pelas características do lugar e o número de esqueletos encontrados, é provável que haja pelo menos outros 30, mas é possível haver até 200, ultrapassando o número de restos mortais localizados em uma das maiores cidades maias do período Clássico (125-236 d.C.): Tikal, na Guatemala", disse a especialista.

Desde 2007, o INAH realiza o registro das ossadas do cenote Las Calaveras, trabalho que conta com a participação da "National Geographic".

O local foi encontrado em 2002, quando uma mergulhadora avistou partes das ossadas.

Os restos mortais no cenote de Las Calaveras estão "em um perfeito estado de conservação, o que permitirá o desenvolvimento de estudos de genética e antropologia para conhecer mais a fundo a antiga população maia que viveu nesta região", comentou Rojas.

A arqueóloga explicou que estes espaços aquáticos tiveram a função de cemitérios. Algumas das ossadas encontradas apresentam tratamentos funerários, pois estão acompanhadas de vasilhas e animais, usados como oferendas.

Para os antigos povos maias, os cenotes, assim como as cavernas, representavam entradas ao mundo dos mortos, chamado Xibalbá, e por isso eram usadas como câmaras funerárias naturais. EFE gt/fm

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