A Armênia elogiou nesta sexta-feira a votação em uma comissão da Câmara de Representantes dos Estados Unidos de uma resolução que qualifica de genocídio o massacre de armênios durante o Império Otomano, por considerar que é um progresso na luta pelos direitos humanos.

"Apreciamos muito a decisão", declarou o ministro armênio das Relações Exteriores, Edouard Nalbandian. "É uma nova prova do apego do povo americano pelos valores humanos universais e um passo importante para a prevenção de crimes contra a humanidade", completou.

Ignorando as advertências da Casa Branca e da Turquia, um antigo aliado na Otan, a Comissão das Relações Exteriores da Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovou na quinta-feira uma resolução que qualifica de "genocídio armênio" as matanças cometidas entre 1915 e 1923 , abrindo o caminho para um votação na Câmara.

O texto, que não tem força de lei, pede ao presidente Barack Obama que qualifique de "maneira precisa de genocídio o extermínio sistemático e deliberado de 1.500.000 armênios".

A Turquia reconhece que entre 300.000 e 500.000 pessoas morreram, mas não vítimas de uma campanha de extermínio, e sim, no ponto de vista de Ancara, no caos dos últimos anos do Império Otomano. Também rejeita a noção de "genocídio" reconhecida por França, Canadá e pelo Parlamento Europeu.

Na quinta-feira, Ancara convocou para consultas o embaixador do país em Washington .

Nesta sexta-feira, o chanceler turco, Ahmed Davutoglu, destacou que a resolução não poderá ser utilizada para pressionar a Turquia a normalizar as relações com a Armênia.

Ele disse ainda que a aprovação do texto demonstra que a Casa Branca não insistiu de maneira suficientemente para impedir a adoção do mesmo.

"Nós esperamos que o governo americano faça esforços mais efizaces a partir de agora para impedir que a resolução seja votada na Câmara de Representantes", afirmou.

O chanceler fez questão de ressaltar que a resolução não poderá ser utilizada como forma de pressão sobre a Turquia para que ratifique acordos destinados a normalizar as relações com a Armênia.

Pelo contrário, advertiu que a resolução aumentou o risco de interromper os esforços para aproximar os dois países vizinhos.

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