Arma de ataque à escola na França pode ser a mesma usada contra militares

Autoridades investigam ligação entre atentado que deixou 4 mortos em colégio judaico e disparos contra soldados na semana passada

iG São Paulo |

Uma autoridade francesa afirmou que a arma usada em um ataque a uma escola judaica de Toulouse nesta segunda-feira é a mesma usada em dois atentados contra militares do país na semana passada. A informação, ainda não confirmada oficialmente, reforça a hipótese de que os três casos estejam ligados.

De acordo com a autoridade, que não quis ser identificada, 15 tiros foram disparados contra a escola Ozar Hatorah, deixando quatro mortos - um homem, seus dois filhos e mais uma criança. Assim como nos dois ataques da semana passada, que deixaram três mortos no total, o atirador estava em uma moto.

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AP
Estudantes da escola Ozar Hatorah, alvo de ataque nesta segunda-feira, se abraçam

Nos ataques da semana passada, os três militares mortos eram de religião muçulmana e o que ficou feridos era negro, nascido nas Antilhas francesas. Com o ataque contra uma escola judaica, autoridades estudam a possibilidade de crimes racistas.

A França tem a maior comunidade judaica da Europa ocidental, estimada em 500 mil judeus, e também a maior comunidade muçulmana, com cerca de 5 milhões de fiéis.

Em visita à escola, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, chamou o ataque de "tragédia nacional" e prometeu encontrar e punir o responsável. "Estas também são nossas crianças, não apenas de vocês (em referência à comunidade judaica). É uma tragédia nacional", disse Sarkozy.

O líder afirmou que todas as escolas do país farão um minuto de silêncio na terça-feira, em homenagem às vítimas. "A barbárie, a selvageria e a crueldade não podem vencer. Nossa nação é muito mais forte", acrescentou.

Autoridades francesas ordenaram um reforço na segurança de colégios e prédios religiosos. O ataque à escola Ozar Hatorah aconteceu pouco antes das 8h (horário local), pouco antes de as aulas começarem.

"Um homem chegou em uma moto e atirou em tudo o que havia pela frente: crianças e adultos", afirmou o procurador Michel Valet, acrescentando que o atirador provavelmente usou duas armas no ataque. De acordo com o procurador, as vítimas seriam um homem de 30 anos que trabalhava da escola, seus filhos de 3 e 6 anos e uma terceira criança de 10 anos. O ataque também deixou um jovem de 17 anos gravemente ferido.

Valet disse ver similaridades entre o ataque desta segunda-feira e os da semana passada. "É muito cedo para estabelecer uma relação, mas há elementos que justificam uma investigação sobre isso", afirmou.

Na quinta-feira, um homem em uma moto abriu fogo contra soldados no momento em que sacavam dinheiro em um caixa eletrônico na cidade de Montauban, sul do país. Dois morreram e o terceiro ficou gravemente ferido. Quatro dias antes, um atirador que também estava em uma moto tinha matado um militar em Toulouse. Segundo a polícia, a mesma arma calibre 11.43 foi usada nos dois casos.

A escola foi fechada pela polícia, que escoltou todos os alunos que tinham entrado no prédio. Um homem que vive perto do local, que pediu para ser identificado como Baroukh, afirmou ter conversado com o adulto morto pelo atirador pouco antes do ataque. "Disse 'bom dia' a ele, como sempre", contou. "Ouvi tiros e o vi no chão, morto. Entrei em pânico e comecei a correr."

Repercussão

O grande rabino do país, Gilles Bernheim, disse-se "horrorizado" e "chocado" pelo ataque. "Poderíamos considerar que se trata de um ato antissemita, mas considero que toda a sociedade francesa foi visada no ataque", afirmou o presidente da Liga Internacional contra o Racismo e Antissemetismo, Alain Jakubowicz.

O governo de Israel condenou a ação e afirmou confiar que o governo francês investigará a tragédia e levará os culpados à Justiça. "Se foi um ataque terrorista ou um crime de ódio, a perda de vida é inaceitável", afirmou o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, condenou "o assassinato odioso de judeus, incluindo pequenas crianças". "É muito cedo para saber exatamente quais são as circunstâncias desses assassinatos, mas não podemos descartar a possibilidade de que tenha sido motivado por um antissemitismo violento e sangrento", declarou a membros de seu partido Likud.

O Vaticano, por sua vez, manifestou sua "profunda indignação, seu horror e sua condenação mais firme". "O atentado de Toulouse contra uma escola e três crianças judias é um ato horrível e desprezível, que se junta a outros recentes de violência absurda que feriram a França", declarou o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, classificou o ataque de "crime odioso". "Não há nada mais intolerável que o assassinato de crianças inocentes."

Em um comunicado, o embaixador americano em Paris, Charles Rivkin, condenou nesta segunda-feira o "horrível" ataque contra a escola "assim como os assassinatos de soldados franceses da semana passada em Toulouse e Montauban".

A União dos Estudantes Judeus da França convocou uma passeata silenciosa em Paris nesta tarde para homenagear as vítimas do tiroteio na escola. Uma cerimônia religiosa também será realizada em Toulouse com a presença das principais personalidades da comunidade judaica.

Em razão do choque provocado pela tragédia, os partidos políticos decidiram suspender nesta segunda-feira a campanha das eleições presidenciais. O Carnaval de Toulouse, que ocorreria na quarta-feira, foi cancelado.

Com AP e AFP

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