Arias pede manutenção do diálogo para crise em Honduras

GUANACASTE - O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, pediu nesta quarta-feira a líderes latino-americanos que não deixem morrer sua proposta de acordo para uma saída à crise política em Honduras, onde há mais de um mês um golpe de Estado destituiu o presidente Manuel Zelaya.

Redação com agências internacionais |


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Arias fala sobre a crise em Honduras, durante evento com líderes latinos
Arias fala sobre a crise em Honduras,
durante evento com líderes latinos


O governo interino diz estudar a última versão do chamado Acordo de San José, proposto por Arias, mas se nega veementemente a devolver o poder a Zelaya, instalado na fronteira da Nicarágua com Honduras.

"Hoje lhes peço que não desistamos deste esforço. Não baixemos a guarda na luta por uma solução pacífica para o conflito hondurenho", disse Arias durante uma cúpula de presidentes da América Central, México e Colômbia. "O Acordo de San José continua vivo, é uma semente não germinada", acrescentou Arias, cuja proposta inclui restituir Zelaya ao poder, formar um governo de unidade nacional até o fim de seu mandato, em janeiro, e adiantar as eleições previstas para novembro, entre outros pontos.

Zelaya, expulso do país por militares em junho, chegou na quarta à cidade fronteiriça de Las Manos, e logo se estabeleceu na vizinha Ocotal, como medida de pressão sobre o governo interino chefiado por Roberto Micheletti, após dar como fracassadas as negociações com a mediação de Arias.

No entanto, Arístides Mejía, vice-presidente de Zelaya e seu representante na cúpula de Guanacaste, Costa Rica, disse que o presidente deposto apoia as negociações e quer a participação de mais países da região.

"Além da mediação, que é algo que nós apoiávamos e continuamos a apoiar, queremos que os países amigos, particularmente países como México, Argentina, Colômbia, redobrem os esforços para alcançar o objetivo" de restituir Zelaya, disse Mejía a jornalistas.

EUA apertam governo interino

Os Estados Unidos anunciaram na terça-feira a revogação de quatro vistos diplomáticos dos integrantes do governo interino de Honduras, e estudam cancelar outros mais, em um gesto de apoio a Zelaya, logo após ele pedir medidas mais firmes do presidente Barack Obama contra os "golpistas".

A vice-chanceler de Micheletti, Martha Alvarado, disse à Reuters que o governo interino continua aberto ao diálogo, mas afirmou que alguns pontos não podem fazer parte do acordo porque seriam contrários à lei, em alusão a uma ordem de prisão contra Zelaya emitida pela Corte Suprema de Justiça.

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Zelaya conversa com hondurenhos que viajaram a Ocotal, na Nicarágua, para vê-lo

Zelaya conversa com hondurenhos que viajaram a Ocotal,
na Nicarágua, para manifestarem apoio a ele

Nesta quarta-feira, Zelaya afirmou que a retirada dos vistos foi um "sinal e um gesto de quem não aceita os golpes de Estado". Porém, ele pediu a Obama para "continuar apertando os golpistas com suas contas, embargar seu dinheiro".

"Tudo o que eles roubam em Honduras vão a depositar em Miami. Lá têm apartamentos, negócios, sociedades com bancos", acusou Zelaya, para quem os responsáveis pelo golpe se encontram em três níveis: os que financiaram, os que planejaram, e os que executaram a ação.

No primeiro grupo situou os "donos dos privilégios, de empresas, de transnacionais e os grandes empórios econômicos" do país, sem citar nomes, que financiaram o ato para "manter seus privilégios".

Do planejamento, segundo Zelaya, participaram políticos, estrategistas e inclusive "agências internacionais de inteligência". Os executores, acrescentou, foram o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, o general Romeo Vásquez, e Roberto Micheletti, ex-titular do Congresso hondurenho.

(Com informações da Reuters e da EFE)

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