Argentina chama príncipe William de 'conquistador' das Malvinas

De acordo com o jornal britânico The Times, o segundo na linha de sucessão no trono britânico deve fazer hoje sua viagem às ilhas

iG São Paulo |

O governo da Argentina afirmou que não procura outra guerra sobre as Malvinas, e acusou o Reino Unido de militarizar a disputa pela soberania das ilhas ao anunciar o envio de um navio de guerra juntamente com o príncipe William, neto da rainha Elizabeth 2ª da Inglaterra, "no uniforme de um conquistador".

Leia também: Reino Unido enviará navio de guerra às Ilhas Malvinas

EFE
Foto mostra o príncipe William com a rainha Elizabeth 2ª no hangar em que fica o helicóptero com que pratica como piloto de busca e resgate (01/04/2011)
Pano de fundo: Malvinas criam tensão entre Argentina e Reino Unido, 30 anos após guerra

De acordo com a edição desta quarta-feira do jornal The Times, William deve fazer nesta quarta-feira uma viagem às Malvinas em meio ao aumento de tensão entre o Reino Unido e a Argentina pela soberania das ilhas do Atlântico Sul.

Segundo a publicação, o duque de Cambridge, de 29 anos, viaja em um avião da Real Força Aérea (RAF), que levará 18h para chegar às ilhas após uma breve escala na ilha britânica de Ascensão, no Atlântico. A designação de William, um piloto de helicóptero da RAF, para uma missão militar de seis semanas entre fevereiro e março tem sido um ponto sensível entre os dois países.

Segundo na linha de sucessão ao trono britânico, o príncipe desembarcará na base aérea de Mount Pleasant e começará imediatamente a trabalhar em um dos dois helicópteros de resgate disponíveis para tarefas de resgate.

Sobre a presença do príncipe nas ilhas, um porta-voz do Ministério de Defesa britânico disse que o duque é tratado como qualquer outro membro das Forças Armadas, por isso não podia divulgar detalhes da viagem. Está previsto que o governo britânico divulgue uma fotografia do príncipe dias após a chegada às Malvinas.

A presença de William é vista pela Argentina como um ato de provocação, por ocorrer meses antes de se completar os 30 anos da Guerra das Malvinas, que começou depois que militares argentinos ocuparam as ilhas em 2 de abril de 1982 e terminou em 14 de junho do mesmo ano com a rendição argentina. O conflito acabou com mais de 600 soldados argentinos e mais de 200 britânicos mortos, em uma humilhação internacional para o governo militar da Argentina.

Enfraquecido pela derrota, a ditadura argentina teve rapidamente de permitir o retorno à democracia, com a população tendo pouca disposição para a guerra desde então. Em vez disso, o governo do país sul-americano espera que medidas econômicas e diplomáticas pressionem o Reino Unido a cumprir resoluções da ONU encorajando os dois países a negociar a soberania das ilhas. Os líderes britânicos se recusam a fazer isso.

A pressão inclui o bloqueio por vários países latino-americanos da entrada em seus portos de navios com bandeira das ilhas do Atlântico Sul. Em uma cúpula em dezembro em Montevidéu, os países do Mercosul - Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai - acordaram em impedir o acesso desses navios.

Essa ação fez há duas semanas o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, informar o Parlamento que havia convocado o Conselho Nacional de Segurança de seu país para abordar a situação no Atlântico Sul e acusou a Argentina de " colonialismo " por reivindicar a soberania. O governo argentino considerou "ofensiva" a declaração de Cameron , que insiste em respeitar a vontade dos ilhéus de manter a soberania britânica.

O Reino Unido anunciou na terça-feira que enviará nos próximos meses às Malvinas um de seus navios de guerra mais modernos , o destróier HMS Dauntless, Tipo 45, apesar de ter deixado claro que o desdobramento estava planejado há um ano.

O envio da embarcação - equipada com mísseis antiaéreos de alta tecnologia Sea Viper - coincide com o "aumento do tom" da retórica de Londres e Buenos Aires pela soberania das Malvinas, reivindicada pela Argentina desde janeiro de 1833.

Um porta-voz do Ministério de Defesa britânico definiu como "pura coincidência" o fato de o destróier ser enviado nesse momento e ressaltou que a Royal Navy (Marinha britânica) sempre teve uma presença no Atlântico Sul. O HMS Dauntless substituirá a fragata britânica HMS Montrose.

*Com EFE e AP

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