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Argentinos vivem drama da falta de futebol

O anúncio do presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), Julio Grondona, de que o campeonato nacional não vai começar na data marcada, dia 14 de agosto, levou o técnico da seleção, Diego Maradona, a dizer que a Argentina sem futebol é um país dramático. Quero ver os jogadores no campo.

BBC Brasil |

Tomara que Grondona resolva o problema. Este país sem futebol é um país dramático", afirmou.

Como no Brasil, o futebol é uma das principais paixões dos argentinos. Por isso, a dívida milionária dos grandes clubes da primeira divisão, que levou Grondona a anunciar o adiamento do campeonato é um problema esportivo, mas com implicações econômicas e sociais.

O problema afeta os hábitos dos argentinos de ir ao estádio, de comemorar no monumento do Obelisco, ou de ter que pagar mais para assistir as partidas pela TV a cabo.

Dívidas

Hoje, segundo dados oficiais, publicados pela imprensa local, somente três dos vinte clubes da primeira divisão não estão endividados - Banfield, Godoy Cruz e Lanus.

Outros, como os tradicionais Boca Juniors, o River Plate e o Independiente, lideram a lista dos clubes que têm dívidas com o fisco e com a previdência social e, em muitos casos, estão sem dinheiro para pagar os jogadores.

"Uma cifra arrepiante: quase 700 milhões de pesos no vermelho", escreveu o jornal La Nación.

"A bola continua parada", destacou o Clarin.

"Não podemos imaginar a Argentina sem futebol. É preciso definir logo uma nova data para o campeonato", disse um comentarista da TV América.

O comentarista esportivo Ezequiel Fernández Moores, do site Cancha Lllena, disse à BBC Brasil que o futebol argentino perdeu, este ano, sua principal fonte de renda, que era a venda de jogadores à Europa.

"Estima-se que na temporada passada foram arrecadados US$ 150 milhões com estas vendas. Este ano, foram US$ 44 milhões", diz Moores.

"Os clubes europeus não estão comprando jogadores como antes, e agora as contas dos times argentinos não fecham".

Para Fernández Moores, o lado positivo da falta de interesse dos clubes europeus é que, pela primeira vez em muito tempo, a tendência é que jovens talentos do futebol do país não sejam vendidos e fiquem na Argentina.

"O resultado disso vai se refletir na melhora de qualidade do futebol argentino", acredita.

Outro analista, Juan Pablo Varsky, do La Nación, disse que os clubes costumam fazer orçamentos deficitários contando com a venda dos jogadores para fechar seus balanços. Isso explicaria o desequilíbrio deste ano.

Boca

No bairro da Boca, no sul da cidade de Buenos Aires, muitas lojas vivem em torno da vida do estádio Bombonera, do Boca Juniors.

"Estou preocupado. Meu negócio depende do turismo, que caiu com a gripe suína, e dos torcedores do Boca, principalmente os estrangeiros. Espero que esta situação se resolva logo", disse o comerciante Juan Martínez.

Ele afirmou ainda que todo argentino é "futbolero" (fã de futebol). O torcedor do Boca, Emanuel, de 20 anos, acha que a crise é passageira. "Tudo isso vai se resolver rápido".

Seu sonho, disse, é ser jogador do Boca - meta de muitos jovens argentinos, entre eles, vários que se chamam "Diego", em homenagem a Maradona.

Negociações

Grondona disse que não há data definida para que o campeonato comece. Sua expectativa é receber das emissoras de televisão pelo menos o dobro do que elas pagam hoje pelo direito de transmissão das partidas, como contou Fernández Moores.

Uma reunião foi marcada para a próxima terça-feira entre a AFA e as TVs para tentar se chegar a um acordo.

"É melhor resolver isso de uma vez e evitar que o cobertor volte a ficar curto", disse o presidente do Lanús, Alejandro Marón. Seu clube tem as contas saneadas, mas ele apóia a investida dos demais.

O presidente do grupo Torneos e Competências (TyC), Marcelo Bombau, que representa as televisões argentinas, disse que as emissoras "não serão mais a vaca leiteira dos clubes".

Na Argentina, segundo os especialistas, a publicidade não é um bom negócio para o futebol, por isso, a venda dos jogadores e o dinheiro das televisões é decisivo para que a bola volte a rolar nos campos.

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