Argentinos vão às urnas em eleição que deve reeleger Cristina

Mais de 28,5 milhões de eleitores também renovam parte da Câmara e do Senado neste domingo

iG São Paulo |

A eleição presidencial da Argentina acontece em clima de tranquilidade neste domingo, quando mais de 28,5 milhões de argentinos vão às urnas numa votação que deve reeleger a presidente Cristina Kirchner.

Segundo o Comando Geral Eleitoral da Argentina, não houve registro de incidentes graves desde que as urnas foram abertas às 8h locais (9h no horário de Brasília). A votação deve acabar às 18h (19h no horário de Brasília).

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Cristina Kirchner vota em Rio Gallegos, na Argentina

Pesquisas de opinião apontam que Cristina deve receber mais votos que todos os candidatos da oposição juntos, refletindo o quadro registrado nas eleições primárias de agosto.

Na ocasião, definida como uma "pré-eleição geral", ela recebeu mais de 30 pontos percentuais que os demais candidatos. Seus principais rivais são Ricardo Alfonsín, do Udesco, Hermes Binner, da Frente Ampla Progressista (FAP), e Alberto Rodríguez Saá, do Compromisso Federal.

Ao votar em Rio Gallegos, Cristina se emocionou ao falar do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), seu marido e antecessor que morreu há quase um ano.

"Emocionalmente é um momento muito particular. Sou presidenta, militante, mas acima de todas as coisas sou uma mulher, a mulher de um homem que marcou a vida da política argentina, que entrou definitivamente para história", disse ela, que não conseguiu conter algumas lágrimas. "Néstor marcou uma etapa histórica, um ciclo na Argentina. Sei que, onde quer que esteja, ele deve estar muito contente."

De bom humor, a presidente cumprimentou efusivamente os membros da zona eleitoral, distribuiu beijos e abraços entre seus simpatizantes e tirou fotos com alguns deles.

Congresso

Neste domingo também acontecem eleições locais em nove províncias, entre elas a de Buenos Aires, o maior distrito eleitoral do país. A população também renova 130 das 257 cadeiras da Câmara e um terço dos 72 assentos do Senado.

Com poucas esperanças de vencer Cristina, a oposição tenta evitar uma possível derrota no Congresso Nacional. Atualmente, a oposição tem maioria na Câmara e o governo, maioria no Senado.

Alfonsín, filho do ex-presidente Ricardo Alfonsín (1983-1989), pediu que os eleitores deem seu voto para que a oposição possa "controlar o governo no Congresso". "Se não formos eleitos para a Presidência pelo menos devemos ser fortes no Congresso", afirmou.

Na mesma linha , o deputado da oposição Adrián Pérez, candidato a vice na chapa da Coalición Cívica (CC) disse que "devemos pelo menos trabalhar para evitar que o governo tenha maioria no Congresso".

Oposição enfraquecida

Para o sociólogo Ricardo Sidicaro, da Universidade de Buenos Aires (UBA), Cristina vencerá porque os demais candidatos não souberam "ser alternativa" ao atual governo.

"O governo não apresentou projeto de longo prazo. Não mostrou ainda como resolverá questões como a inflação. Teve um estilo de confrontação (com alguns setores). Mas Cristina vai ganhar porque é melhor que os candidatos da oposição", opinou.

Para o analista político Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Maioria, se a oposição estivesse "unida e articulada", Cristina teria menor vantagem e talvez tivesse que disputar o segundo turno (previsto para novembro). A crise da oposição se reflete na quantidade de candidaturas opositoras neste domingo - seis, no total. "E os dois principais candidatos da oposição, (Eduardo) Duhalde e (Ricardo) Alfonsín, devem registrar drástica queda nas urnas em relação a agosto", afirmou Fornoni.

Duhalde governou o país entre 2002 e 2003 e apoiou a eleição de Néstor Kirchner (2003-2007). Alfonsín é filho do ex-presidente Raul Alfonsín (1983-1989).

"Cristina tinha 34% de aprovação quando Kirchner morreu. Mas não foi apenas por pena que subiu nas pesquisas. Os eleitores entenderam que ela soube administrar o país, mesmo sem resolver ainda a inflação", disse Mariel Fornoni.

No discurso de encerramento de sua campanha, a presidenta disse: "Sem os meus filhos, Maximo e Florência, não teria sido possível (continuar)".

'Falta de diálogo'

Para Fornoni, Cristina, ao contrário do marido, reduziu o nível de tensão com os opositores, diminuindo também a rejeição ao seu nome, principalmente entre as mulheres.

AP
Eleitores checam local de votação em Buenos Aires, na Argentina

Mas a campanha chegou ao fim sem debates entre os presidenciáveis e com a oposição criticando a "falta de diálogo" do governo com seus adversários, como disseram os candidatos Alberto Rodríguez Saá e Elisa Carrió.

No atual ambiente, empresários evitam criticar o governo publicamente - "por favor, não coloquem meu nome", costumam dizer - por medo de "represálias" de autoridades da gestão oficial, e o governo segue com duras disputas com setores da imprensa. Kirchner costumava levar cartaz para seus comícios dizendo: "(o jornal) Clarín mente" ou criticando abertamente o jornal La Nación, outro tradicional no país.

A imprensa, por sua vez, se diz cerceada pelo governo. Num debate na televisão, na semana passada, jornalistas mostraram-se preocupados que "o confronto com a imprensa seja intensificado" num possível novo governo de Cristina.

Em todo o país e no exterior há 12.728 pontos de votação. A eleição contará com o trabalho de 180 mil presidentes de mesas, 250 mil fiscais partidários, 20 mil delegados eleitorais e 100 mil funcionários do serviço estatal de correios. Serão mobilizados ainda 115 mil agentes das Forças Armadas e de segurança nos 24 distritos eleitorais do país.

Com EFE e BBC

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