Argentinos questionam política do governo para gripe H1N1

Por Damian Wroclavsky BUENOS AIRES (Reuters) - Em meio a um surto da gripe H1N1 que já matou 60 pessoas no país, os argentinos estão questionando como o governo vem lidando com a doença. Há confusão sobre o número real de casos e acusações de que as autoridades agem de forma lenta.

Reuters |

A presidente Cristina Fernández de Kirchner busca interromper o alastramento da gripe, no pico do inverno no país, fechando escolas e dando folga para funcionários públicos.

Os críticos, contudo, a repreendem por ter deixado as eleições legislativas seguirem em frente na semana passada e por ter viajado no fim de semana a Washington para uma missão diplomática sobre a crise política em Honduras, enquanto aumentava na Argentina o número de casos da gripe.

"O governo claramente não está lidando com isso bem", disse Leopoldo Fernández, um engenheiro que enviou os dois filhos para a Patagônia, no sul do país, para deixá-los longe da capital Buenos Aires, onde é registrada boa parte dos casos.

"Não presto atenção no que eles dizem. Não confio neles", completou o engenheiro.

Uma controvérsia que já dura dois anos sobre alegações de que o governo manipula dados econômicos para obter ganhos políticos tem alimentado dúvidas sobre o quanto o H1N1 já se alastrou na Argentina.

Em menos de uma semana, o número de mortos mais do que dobrou. As 60 mortes registradas atualmente fazem da Argentina o país com a terceira pior estatística sobre a gripe, só atrás de México e Estados Unidos. O governo confirmou 2.800 casos do vírus.

Na semana passada, um dia depois das eleições legislativas, a então ministra da Saúde, Graciela Ocana, pediu demissão. Alguns meios de comunicação afirmaram que ela enfrentava a oposição de alguns setores do governo às suas propostas de combate à doença.

Logo depois de tomar posse, o seu substituto, Juan Manzur, teria dito que o número de casos de gripe H1N1 sem confirmação poderia chegar a cem mil. Manzur se reuniu na segunda-feira com autoridades regionais para avaliar a situação nacional e assegurou que se avançou em "gerar algumas definições para ter uma unificação de critério de abordagem da patologia".

A especialistas, o número de cem mil não assusta, pois num surto de gripe não são todos os que fazem o teste, e o vírus costuma infectar mais do que 10 por cento da população.

Autoridades de saúde nos Estados Unidos dizem que pelo um milhão de norte-americanos podem estar infectados, apesar de o número oficial ser 94.512.

No entanto, a maneira e as circunstâncias nas quais as declarações foram feitas alimentam a confusão na Argentina e também a preocupação relacionada à estratégia do governo para o problema.

O governo não declarou emergência nacional, mas alguns dirigentes locais declararam, incluindo o prefeito de Buenos Aires.

Nesta segunda-feira, um grupo de donos de teatros anunciou estar fechando as casas por dez dias, depois de uma queda acentuada de público.

A presidente do país sofre com um índice de aprovação de 30 por cento e tenta se recuperar da derrota nas eleições legislativas, quando ela perdeu a maioria no Congresso.

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