Argentinos apóiam intervenção do Parlamento no conflito agrário

Buenos Aires, 19 jun (EFE) - A maioria dos argentinos apóia a decisão do Governo de submeter à consideração do Parlamento os impostos móveis à exportação de grãos, dizem duas pesquisas divulgadas hoje, quando se completam 100 dias do conflito pela rejeição do campo à pressão do Fisco.

EFE |

Cerca de 74% dos indagados pela empresa de consultoria Analogías disseram estar "de acordo" ou "muito de acordo" com a intervenção legislativa neste assunto, frente a 23,1% contrários.

A pesquisa, publicada pelo jornal de economia "El Cronista", destaca ainda que 61% afirmam que o debate dos legisladores "ajudará a resolver" o conflito.

"A maioria dos entrevistados, independentemente de sua posição política, apóia o novo rumo", destaca, por sua vez, uma pesquisa da firma Ibarómetro.

Segundo o estudo, 69,9% dos consultados acharam "acertado" que seja o Parlamento que decida se será aplicado ou não o sistema tributário que os produtores agrários rejeitam devido ao aumento da pressão do Fisco.

A imprensa de Buenos Aires também publicou hoje uma pesquisa da firma Giacobbe e Associados, que aponta que continua em baixa a "imagem positiva" do Governo de Cristina Fernández, que assumiu há seis meses, depois de ganhar as eleições de outubro com 46% dos votos.

A pesquisa da Giacobbe e Associados diz que a gestão de Cristina tem apoio de 19,9%, quase quatro pontos percentuais a menos que há um mês, o que confirma uma tendência apontada em outras pesquisas nas últimas semanas.

Os dirigentes das quatro associações agrárias em conflito, que reúnem cerca de 290 mil produtores de todo tipo, prorrogaram até sexta-feira a greve na comercialização de grãos.

A prorrogação da greve, a quarta que o setor agrário realiza desde que começou o conflito, em 11 de março, foi anunciada na noite de quarta-feira, depois do ato de apoio ao Governo organizado pelo Partido Justicialista (peronista) na histórica Praça de Maio.

Perante uma multidão, Cristina voltou a criticar os dirigentes do setor agropecuário, aos quais responsabilizou pelo desabastecimento de alimentos e combustíveis que afeta vastas zonas do país.

Os dirigentes agrários rejeitam que o Governo tenha proposto ao Parlamento que aceite ou rejeite o polêmico sistema tributário, apesar de a decisão de habilitar a intervenção legislativa abrir as portas a que se debatam mudanças na regra.

Eles afirmam que a maioria que o Governo possui no Parlamento transformou o recinto legislativo em "um escritório" que se limita a aprovar as iniciativas do Executivo. EFE alm/db

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