Argentina vai controlar a entrada de 21 mil produtos

O governo da Argentina aumentará o controle na entrada de 21.600 produtos estrangeiros no país, em uma tentativa de proteger a indústria nacional dos impactos da crise econômica global.

BBC Brasil |

Segundo a assessoria de imprensa da Dirección General de Aduanas (DGA), órgão que controla a entrada de produtos na Argentina, será divulgada na próxima quinta-feira uma lista de mercadorias cujos preços e volumes passarão a sofrer controles mais rígidos. Produtos brasileiros, no entanto, não serão incluídos nas novas regras.

"A lista inclui produtos provenientes de dez países asiáticos e nenhum do Brasil", informou a assessoria do órgão, que também afirmou: "Nossa preocupação, talvez mais intensificada agora com a crise internacional, é a mesma que antes: a de que o Brasil ou outro país do Mercosul sirva de porta de entrada de mercadorias asiáticas com preços de dumping".

A lista deve incluir produtos do setor têxtil, brinquedos e calçados, entre outros, e deverá ser um dos assuntos da reunião prevista para a semana que vem entre autoridades dos países do Mercosul.

"Esse maior controle que faremos convém ao Brasil porque assim também estaremos evitando que produtos asiáticos entrem no Mercosul por aqui e afetem as indústrias e os empregos do bloco", informou o órgão.

No entanto, o jornal La Nación publicou em sua edição online uma entrevisa com o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, onde ele se mostrou contrário a medidas protecionistas.

Segundo o jornal, Mantega descartou um acordo com a Argentina para aumentar a Tarifa Externa Comum (TEC) do Mercosul e restringir importações de fora do bloco.

"Não acho que estamos caminhando nessa direção (alta da TEC, cuja cobrança máxima é de 35%). Neste momento, não devemos tomar medidas protecionistas em nenhum lugar. O protecionismo foi o que derivou na crise (econômica mundial) de 1929, quando os países se fecharam", afirmou Mantega.

Brasil
Apesar das declarações da assessoria da DGA de que o Brasil não será o alvo da lista de maior controle de produtos importados, industriais argentinos querem que o governo esteja "mais atento" ao possível aumento de importações de produtos brasileiros, como máquinas agrícolas e autopeças, entre outros.

"O Brasil é um problema porque temos um déficit comercial com este país de quase US$ 7 bilhões. Mas hoje pior ainda são os produtos asiáticos", disse Juan Carlos Lascurrain, presidente da União Industrial Argentina (UIA), à emissora TN (Todo Noticias).

Segundo dados da DGA, o Brasil é o principal exportador de produtos para o mercado argentino, com cerca de US$ 12 bilhões registrados nos primeiros nove meses deste ano. A China aparece em segundo neste ranking, com US$ 5,1 bilhões, e os Estados Unidos em terceiro, com US$ 4,5 bilhões.

"Compre Argentino"
Nesta terça-feira, líderes da indústria na Argentina defenderam uma valorização do dólar - atualmente a moeda americana está cotada em torno de 3,25 pesos.

O objetivo é não se distanciar da desvalorização do real no Brasil - apesar da recuperação do real nos dois últimos dias.

Num seminário na sede da UIA, a entidade e a Secretaria de Indústria lançaram a campanha "Compre Trabalho Argentino", em defesa da compra de produtos "made in Argentina", em um momento de incertezas internacionais e temores de aumento na entrada de produtos estrangeiros no país.

A proposta, que já existia no papel, também foi vista com simpatia pelo presidente da principal central sindical do país, a CGT (Confederação Geral de Tabalhadores), Hugo Moyano, que falou em defesa do emprego e evitou críticas quando perguntado sobre o Brasil.

"Nosso objetivo é defender o emprego. E o 'compre argentino' é uma proposta ideal para isto neste momento", disse.

"Alguns sindicatos já nos informaram que estão cortando horas extras em alguns setores, como o automotivo, devido à crise internacional", disse à agência estatal Telam.

Por sua vez, o secretário de Indústria, Fernando Fraguío, confirmou que será implementado maior controle nas importações. "Estamos trabalhando num pacote de medidas e vamos ampliar a lista de produtos que vão ter maior controle para entrar no país".

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