Argentina suspende relações comerciais com Irã

Buenos Aires, 2 dez (EFE).- O Governo da Argentina anunciou hoje a suspensão das relações comerciais com o Irã em resposta a um insulto feito pelas autoridades do país, que afirmaram que os juízes argentinos estão entre os mais corruptos no mundo.

EFE |

A declaração foi feita segunda-feira pelo porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores iraniano, Hassan Ghashghavi, após a Justiça iraniana negar um pedido feito pela Argentina para a captura de oito ex-funcionários do Governo iraniano envolvidos num atentado terrorista cometido em Buenos Aires.

O ataque em questão, em 18 de julho de 1994, teve como alvo a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), deixando 85 mortos e outros 200 feridos.

A decisão foi comunicada pelo ministro argentino de Justiça, Segurança e Direitos Humanos, Aníbal Fernández, durante reunião com uma delegação do Comitê Judaico Americano que visita o país.

O comércio entre Argentina e Irã representa cerca de US$ 1 bilhão por ano. As relações diplomáticas entre ambos já estavam congeladas desde meados da última década por conta das investigações relativas ao mesmo atentado.

"A Argentina é bem conhecida no mundo todo por seus juízes corruptos", comentou Ghashghavi em entrevista coletiva na capital iraniana, Teerã, e divulgada pela agência "Irna".

Rodolfo Canicoba Corral, juiz argentino que acusou o Irã de planejar o atentado, rejeitou as acusações e disse que o país asiático "apela ao agravo" porque "lhe faltam razões".

Corral também acusou o grupo xiita libanês Hisbolá pela autoria do ataque.

Entre os solicitados pela Justiça estão o ex-presidente iraniano Ali Akbar Rafsanjani e três ex-funcionários da embaixada do Irã em Buenos Aires.

No mês de setembro de 2004, 22 pessoas acusadas de cumplicidade no atentado contra a Amia foram absolvidas, incluindo alguns ex-policiais, após quase três anos de julgamento. EFE hd/dp

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