Apesar da dissipação das cinzas do vulcão chileno Puyehue, algumas companhias aéreas mantêm cancelamentos

As operações aéreas comerciais em Buenos Aires estão sendo restabelecidas progressivamente nos aeroportos Aeroparque e Ezeiza com a dissipação das cinzas do complexo vulcânico chileno Puyehue-Cordón Caulle, informou nesta segunda-feira uma fonte aeroportuária. "Já não temos cinzas. A situação meteorológica melhorou e não há partículas na superfície. Foram realizados pousos e decolagens, mas algumas companhias aéreas mantêm os cancelamentos", disse a fonte da empresa Aeroportos 2000, que pediu para não ser identificada.

Família aguarda na sala de embarque do Aeroporto Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires
AFP
Família aguarda na sala de embarque do Aeroporto Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires

Nos dois aeroportos foram registrados no domingo 146 cancelamentos de voos, segundo porta-vozes das empresas. O Puyehue entrou em erupção no início de junho e a nuvem de cinzas afetou fortemente as localidades do outro lado da Cordilheira dos Andes, no sudoeste argentino, além de alterar por diversas vezes desde então a atividade aerocomercial na América do Sul e na Oceania.

"No Aeroparque ocorreram 14 cancelamentos e 11 atrasos nas chegadas, enquanto 14 partidas foram canceladas e dez estão com atrasos. Foram realizados quatro pousos e quatro decolagens", segundo a fonte.

Quanto ao aeroporto internacional Pistarini, de Ezeiza, ao sul da capital, a fonte indicou que "ocorreram 12 cancelamentos de chegadas, 11 voos atrasados e quatro pousos. Entre as partidas, foram 13 cancelamentos, dez atrasos e quatro decolagens". "Agora são as companhias as que vão definindo se voam ou não", acrescentou a fonte.

O fenômeno das cinzas voltou no sábado após um temporal com fortes ventos no sudoeste argentino levar as partículas na direção nordeste. As principais companhias aéreas brasileiras, Gol e Tam, anunciaram no domingo o cancelamento de seus voos com origem e destino na Argentina. Nesta segunda-feira, no Chile, as cinzas provocaram o cancelamento dos voos de Santiago a Montevidéu, assim como às cidades argentinas de Buenos Aires, Córdoba e Mendoza.

Especialistas afirmaram que é impossível prever quando terminará a queda das cinzas do Puyehue. "A erupção e a coluna de fumaça continuarão por meses e não há um tempo determinado para que acabem", afirmou o vulcanólogo Manuel Schilling, do Serviço Nacional de Geologia e Minas (Sernageomin) do Chile.

"Depois de quatro meses, o Puyehue está num processo eruptivo menor, basicamente caracterizado por uma coluna de 4 km de altura, mas ainda há lava e saída de gases e tem uma coluna que possui pouca cinza e pode ficar muito tempo assim", explicou à AFP, Fernando Gil, chefe do Observatório Vulcanológico dos Andes do Sul (Ovdas).

Gil explicou que não existem sinais de que o vulcão vá retomar sua força e que é imprevisível assinalar uma data quando vai terminar o processo eruptivo ou a queda de cinzas.

Com AFP e EFE

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