Argentina registra fuga recorde de capitais

A Argentina registrou fuga de capitais de US$ 11,1 bilhões (cerca de R$ 20,7 bilhões) no primeiro semestre deste ano, conforme dados divulgados neste sábado pelo Banco Central do país. Esse volume amplia para US$ 43 bilhões (R$ 80 bilhões) o total de dinheiro que saiu do sistema financeiro argentino desde a metade de 2007, um recorde histórico que, segundo analistas, revela a desconfiança dos argentinos em relação ao sistema local.

BBC Brasil |

Em seu balanço, o Banco Central ressalva, porém, que o resultado inclui depósitos bancários que estavam na moeda local, o peso, mas foram transferidos para contas em dólares no país. Na Argentina, o cliente pode escolher entre contas na moeda local ou na moeda americana.

Nos últimos dias, jornais como El Cronista e Clarin, de Buenos Aires, destacaram que os argentinos estão intensificando estes saques para depositá-los em bancos do Uruguai.

De acordo com dados do Banco Central uruguaio publicados pela imprensa argentina, a fuga de depósitos dos argentinos para os bancos do país vizinho chegou a quase 200 milhões de pesos ao mês (cerca de US$ 53 milhões) no primeiro semestre deste ano, um aumento de 40% em relação ao mesmo período do ano passado.

Crise de confiança
Em entrevista à emissora TN (Todo Notícias), o economista argentino Mario Blejer, que é assessor do ministro da Economia, Amado Boudou, disse que a fuga de capitais só será interrompida se for resolvida a desconfiança dos argentinos no país.

"Existe uma crise de confiança e ela só vai ser solucionada se os capitais que saíram começarem a retornar ao país", disse Blejer, que também é ex-presidente do Banco Central.

Este novo período de desconfiança dos argentinos supera, segundo economistas, aquele período da histórica crise de 2001.

Para muitos analistas, a atual crise de confiança se intensificou quando o governo da presidente Cristina Kirchner viveu uma longa etapa de conflitos com o setor rural, em 2008, e com medidas como a nacionalização dos fundos de pensão e aposentadorias, também no ano passado.

Os argentinos têm o hábito de retirar os depósitos ao primeiro sinal de problemas políticos e costumam guardar este dinheiro no Uruguai ou até mesmo debaixo do colchão da cama.

Economistas argentinos afirmam, no entanto, que apesar da fuga de capitais, a Argentina não caminha para uma nova crise econômica.

"A alta no preço das commodities, principalmente a soja, de cerca de 40% desde março, é uma boa notícia para a Argentina e um fato que ajudará o surgimento de uma nova onda de crescimento econômico do país", diz o economista Miguel Bein , da consultoria Estudio Bien e Associados .

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG