Por Karina Grazina BUENOS AIRES (Reuters) - A Corte Suprema da Argentina anunciou na quarta-feira a reabertura parcial do processo que investiga o atentado de 1994 contra uma entidade judaica de Buenos Aires, que deixou 85 mortos.

A investigação original foi anulada devido a falhas técnicas, e um novo processo foi aberto.

"A Corte considerou que não se podia confirmar a nulidade de toda a investigação (...), mas só daquele trecho da investigação que esteve viciado de parcialidade na atuação do ex-magistrado (Juan José Galeano)", disse nota da Corte Suprema à imprensa.

"A frustração de todo o processo não pode ser a resposta da justiça à queixa das vítimas", advertiu o tribunal.

O atentado destruiu o edifício onde funcionava a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), no centro da capital argentina, num dos piores ataques contra a comunidade judaica desde a Segunda Guerra Mundial. Quase 15 anos depois, ninguém foi preso nem condenado.

A parte reaberta do processo inclui a investigação contra dois acusados de terem apoiado localmente o ataque.

"A Corte busca dar uma clara mensagem de que está contra a impunidade que rodeia o processo e que deve investigar o caso que havia sido encerrado pelos efeitos da nulidade", disse o comunicado.

Dirigentes da Amia elogiaram a decisão judicial. "Temos 15 anos de luta e hoje começamos a ver uma luz e a nossa confiança redobrada na Justiça", disse a uma TV o secretário-geral da entidade, Julio Schlosser.

"A partir de agora continuaremos trabalhando da mesma maneira que vimos fazendo nesses 15 anos, mas com a convicção de que a Justiça argentina está à altura do que é o caso Amia."

A nota da Corte esclareceu que a medida não altera a destituição de Galeano, decidida pela Justiça em 2005.

A Justiça argentina apontou o Irã como responsável pela explosão da Amia, algo que a República Islâmica rejeitou.

Durante a investigação do juiz Galeano, a Justiça pediu uma ordem internacional de captura contra funcionários do governo iraniano, o que foi cancelado com a anulação do processo. A nova investigação voltou a pedir a prisão deles.

Israel e EUA dizem que o atentado foi realizado pela guerrilha libanesa xiita Hezbollah, com apoio do Irã, que por sua vez pediu a prisão de funcionários argentinos por agirem contra a segurança do país.

Como parte da nova investigação, na semana passada a Justiça argentina pediu a captura internacional de um cidadão colombiano por considerar que teve participação ativa no ataque.

No final do ano passado, o tribunal encarregado do caso embargou bens de um ex-diplomata iraniano em Buenos Aires que é procurado pela Justiça.

Dois anos antes do atentado na Amia, uma explosão na embaixada israelense em Buenos Aires havia deixado 29 mortos.

(Reportagem de Karina Grazina)

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