Argentina presta sua homenagem no funeral de Raúl Alfonsín

O ex-presidente Raúl Alfonsín (1983-1989) começou a ser velado nesta quarta-feira na sede do Congresso, no início de um luto de três dias declarado pelas autoridades.

AFP |

"A figura de Alfonsín está indissoluvelmente ligada à recuperação da democracia, depois da ditadura mais trágica que tivemos", afirmou a presidente peronista Cristina Kirchner em Londres, onde participará na cúpula do G20.

Alfonsín foi o presidente da transição democrática, ao acabar com o sangrento regime surgido do golpe de Estado de 1976, mas teve de renunciar cinco meses antes do prazo constitucional em 1989, em meio a uma brutal hiperinflação.

Reuters
Corpo de Alfonsín é velado em Buenos Aires
Corpo de Alfonsín é velado em Buenos Aires

Alfonsín (1983-89) morreu na noite de terça-feira, vítima de câncer, aos 82 anos.

Primeiro chefe de Estado eleito pelas urnas após a última ditadura (1976-83), Alfonsín sofria de câncer de pulmão com metástase óssea e seu quadro foi agravado por uma pneumonia.

A última aparição em público de Alfonsín ocorreu no início de outubro passado, durante uma cerimônia na Casa Rosada para comemorar os 25 anos de sua posse.

Apesar da longa enfermidade e de não ter um cargo oficial, Alfonsín era a figura mais influente da União Cívica Radical (UCR, socialdemocrata).

Alfonsín foi o primeiro presidente eleito da Argentina após o fim da ditadura, em 1983, e seu governo ficou marcado pelo julgamento dos ditadores militares Jorge Videla e Emilio Massera, condenados à prisão perpétua.

Em 1987, Alfonsín enfrentou a rebelião militar dos chamados 'carapintadas', e apesar da ampla mobilização popular em apoio à democracia, negociou um acordo com os rebeldes para que depusessem as armas.

A lei de anistia foi um golpe mortal para a credibilidade de seu governo, no momento em que a economia entrava em crise.

A agitação social provocou 13 greves gerais lideradas pela peronista CGT, até que uma inflação de 5.000% liquidasse o governo, após os planos econômicos Austral e Primavera.

Em 1989, Alfonsín anunciou pela TV que entregaria o poder seis meses antes do final de seu mandato, passando o governo ao presidente eleito e peronista liberal Carlos Menem.

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