Argentina lança pacote de US$ 3,8 bi contra crise

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, lançou nesta quinta-feira um novo pacote econômico para conter os efeitos da crise financeira internacional no país. Com o plano de 13,2 bilhões de pesos (cerca de US$ 3,8 bilhões), o governo procura aquecer a economia - estimulando a produção, o consumo interno e as exportações - e também evitar demissões.

BBC Brasil |

O pacote prevê recursos de crédito para a indústria de eletrodomésticos de linha branca (como máquinas de lavar e geladeiras) e de automóveis, além de recursos para pequenas e médias empresas.

A condição do governo para liberar os créditos, a taxas de juros fixas, é que os empresários concordem em manter seus empregados.

De acordo com a imprensa local, entre as fontes dos recursos do pacote está a Anses, a previdência estatal, que receberá o dinheiro que era administrado pelos fundos de pensão e aposentadorias, estatizados no mês passado.

Cristina Kirchner também anunciou a redução de impostos para exportações de trigo e de milho - uma demanda do setor agrário, que este ano realizou uma longa paralisação e provocou a pior crise já vivida pelo governo atual.

Em uma tentativa de combater o avanço da cultura da soja, o plano do governo prevê que, quanto mais milho e trigo os agricultores plantarem, menos paguem em impostos às exportações.

Empregos
Cristina Kirchner anunciou o pacote em uma cerimônia na residência presidencial de Olivos com a presença de ministros, governadores, empresários e banqueiros.

Segundo a presidente, a Argentina experimentou um período histórico de expansão econômica entre 2002 e 2007 e esperava manter este ritmo, mas a crise financeira externa agora ameaça isso.

"Quando estávamos nesta trilha (do crescimento recorde), surgiu o problema internacional e agora temos que lançar estas medidas", disse.

O líder do governo na Câmara de Deputados, Agustín Rossi, disse que o pacote complementa "os anúncios anteriores, como a moratória das dívidas fiscais de pequenas e médias empresas e a repatriação de capital. E o principal é que, em todos os casos, o governo faz a mesma exigência, de que não ocorram demissões", disse.

Já o presidente da Fiat na Argentina, Cristiano Rattazzi, disse que as medidas chegam em boa hora, mas é preciso ver como serão implementadas.

"Para saber os efeitos (das medidas) temos que esperar o início do ano, quando a crise internacional e seus efeitos estarão mais claros", afirmou.

Na semana passada, Kirchner anunciou perdão da dívida fiscal para pequenas e médias empresas que registrem seu pessoal e ainda redução de cobrança fiscal para estimular a repatriação de dinheiro, depositado no exterior ou fora do sistema financeiro local, para aumentar a liquidez e aquecer a economia.

Ela também declarou, na ocasião, que lançará, no dia 15 próximo, um pacote para estimular a construção civil - uma das principais alavancas da recuperação econômica, a partir de 2002.

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