Argentina impede cruzeiros provenientes das Malvinas de atracar em Ushuaia

Medida ocorre em meio à escalada de tensão na disputa pelas ilhas entre o Reino Unido e a Argentina

iG São Paulo |

Dois cruzeiros que levavam cerca de 3 mil passageiros tiveram de dar meia volta e deixar o porto argentino de Ushuaia depois de ter passado pelas Ilhas Malvinas . As embarcações Adonia e Star Princess passavam pela região conhecida como Terra do Fogo e foram proibidas de atracar no porto.

A decisão, considerada preocupante por autoridades britânicas, foi embasada na aplicação de uma lei que remete ao conflito entre os governos argentino e britânico sobre a soberania das Malvinas. A norma proíbe a "permanência, ancoragem ou abastecimento e operações de logística no território da província de embarcações com a bandeira britânica".

AP
Bandeira argentina contra ocupação britânica nas Malvinas, em frente à Casa Rosada, em Buenos Aires (7/2)
Um porta-voz do Ministério de Exteriores britânico disse que os diplomatas do país na Argentina pedirão explicações sobre a medida, que afetou os cruzeiros "Adonia" e "Star Princess", da empresa Carnival, que no sábado haviam feito escala nas disputadas ilhas do Atlântico sul.

"Estamos muito preocupados após ouvir que foi negado acesso ao porto de Ushuaia ao Adonia e ao Star Princess, disse uma fonte do Ministério das Relações Exteriores britânico. “Não há nenhuma justificativa para a interferência no comércio livre e legítimo", acrescentou.

O Adonia navega agora rumo a Punta Arenas, no Chile, próxima escala em seu cruzeiro de 87 dias, que segundo a empresa responsável começou na Inglaterra em 13 de janeiro. Já o Star Princess, que tem capacidade para 2,6 mil pessoas e possui 289 metros de comprimento, prosseguirá com seu cruzeiro de 14 dias que começou no último dia 18 no Rio de Janeiro.

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A P&O, filial da Carnival que administra as viagens de ambas as embarcações, disse que as autoridades portuárias de Ushuaia deram como motivo para a proibição o fato de as embarcações terem estado antes nas ilhas Malvinas.

Diplomacia

Em dezembro, a Argentina e outros países do Mercosul concordaram em bloquear o acesso de navios com bandeira das Malvinas ataquem a seus portos. O Reino Unido mostrou preocupação com a decisão. "Estamos muito preocupados com esta tentativa da Argentina em isolar a população das ilhas Falklands (denominação britânica das Malvinas) e prejudicar seus sustentos, o que não tem qualquer justificativa", afirmou o Ministério das Relações Exteriores britânico.

Os países do Mercosul com litoral - Brasil, Argentina e Uruguai - acertaram a medida na cúpula do bloco, em Montevidéu no dia 20 de dezembro. A declaração assinada pelos líderes do bloco estabelece que os três países (Paraguai não tem litoral) adotarão "todas as medidas necessárias (...) para impedir o ingresso em seus portos de barcos com a bandeira ilegal das Ilhas Malvinas". O texto destaca que as embarcações rejeitadas por este motivo em algum porto da região "não poderão solicitar o ingresso em outros portos dos demais membros do Mercosul ou de Estados associados."

WikiLeaks

Também nesta segunda-feira, o site WikiLeaks revelou através do jornal espanhol, El País, que o governo brasileiro quer que os britânicos fiquem distantes das Malvinas e de suas reservas de petróleo.

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Em um diálogo entre analistas de inteligência da empresa de inteligência Stratfor, fica claro que o Brasil está disposto a apoiar o vizinho regional na disputa pelas ilhas devido a seu interesse na exploração de petróleo da região. A conversa teria ocorrido após anúncio de que empresas petrolíferas, como Petrobras, YPF-Repsol e Pan American Energy fariam perfurações nas águas argentinas próximas às ilhas, em abril de 2009.

Unasul

Líderes de países-membros da União de Nações Sul-americanas (Unasul) foram convidados para cerimônia de 30º aniversário do desembarque das tropas argentinas no arquipélago disputado, no dia 2 de abril. A cerimônia prevê reunir autoridades e ex-combatentes argentinos para um desfile em Ushuaia, cidade que a Argentina considera ser a capital das Malvinas.

A soberania das Malvinas (Falklands para a Grã-Bretanha), situadas a 400 milhas marítimas da costa da Argentina e ocupadas pelo Reino Unido em 1833, tem sido reclamada com insistência por Buenos Aires junto às Nações Unidas e a outros organismos internacionais.

A Grã-Bretanha venceu a curta e sangrenta guerra nas Malvinas, em 1982, declarada após o regime militar argentino enviar tropas para invadir as ilhas no dia 2 de abril de 1982. Em 14 de junho, as forças argentinas se renderam, após a morte de 649 soldados argentinos e 255 militares britânicos.

*Com EFE, Ansa e BBC

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