Argentina fecha acordo para transmissão gratuita de jogos de futebol

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e o presidente da Associação de Futebol Argentino (AFA), Julio Grondona, assinaram, nesta quinta-feira, um acordo para comercialização do futebol e transmissão das partidas em emissoras de canal aberto. Hoje é um dia histórico.

BBC Brasil |

A partir de agora, vamos levar o futebol gratuitamente a todos. Esse vínculo comercial (com o governo) marca uma nova era para o futebol. E vamos honrar nossas dívidas", disse Grondona.

A presidente afirmou que o futebol é "uma indústria muito importante" e que, ao contrário do que apontaram críticos do acordo, "não precisa ser subsidiado".

"O futebol é um negócio extraordinário. Mas o governo não quer fazer negócio, quer estimular o esporte", disse Cristina.

Acordo
Segundo a presidente, quando os recursos gerados pelo acordo superarem o que está previsto no contrato, os lucros serão divididos igualmente entre o governo e a AFA.

Ela afirmou ainda que o excedente será usado pelo governo para promover o esporte olímpico no país.

Na véspera, o secretário executivo da AFA, José Luis Meiszner, afirmou que o contrato tem a vigência de dez anos e prevê o pagamento, pelo governo, de 600 milhões de pesos anuais à AFA.

De acordo com Meiszner, esse pagamento seria referente aos direitos de transmissão dos jogos ao vivo pelas emissoras de sinal aberto.

Cristina Kirchner disse ainda que o governo quer ajudar aos clubes, que "estão pobres, mas geram negócios milionários".

'Grande passo'
Cristina e Grondona discursaram diante de uma platéia de cerca de 800 convidados e estavam ao lado do técnico da seleção argentina de futebol, Diego Armando Maradona, que aplaudiu o acordo.

O discurso de Cristina foi transmitido em rede nacional de televisão.

"Hoje demos um grande passo em matéria de democratização da sociedade argentina. Até aqui só assistiam as partidas aqueles que podiam pagar (o serviço de TV a cabo). Nesse período, sequestraram gols", disse.

De acordo com a secretaria de Esportes, a expectativa é que o campeonato nacional, chamado Apertura, comece nesta sexta-feira e que os jogos do fim de semana já sejam transmitidos pela TV estatal, canal 7.

Inicialmente, o campeonato começaria no último dia 14, mas a AFA decidiu adiar a data por causa das dívidas acumuladas pelos clubes da primeira divisão.

Nos últimos dias, foram realizadas reuniões entre Grondona, a Associação Federal de Ingressos Públicos (AFIP, equivalente a Receita Federal) e integrantes dos clubes e do governo.

No dia 11 de agosto, a AFA anunciou rompimento do contrato com a TyC Esportes (do grupo Clarin), quatro anos antes do final, e o possível acordo com o governo.

O contrato com a TyC começou nos anos 80 e previa pagamento anual de 268 milhões de pesos à AFA - três vezes menos do que o pagamento previsto do governo.

Críticas
O acordo entre AFA e governo gerou polêmica e críticas da oposição, e do vice-presidente do país, Julio Cobos, distanciado de Cristina Kirchner.

Apesar das críticas, a população em Buenos Aires apoiou o acordo e elogiou a iniciativa do governo.

"Finalmente vou poder assistir meu time", disse o taxista Juan Manuel, de 38 anos.

A polêmica é a capa da revista Notícias desta semana, que traz na manchete: "Guerra do Futebol".

Na reportagem, a revista afirma que a disputa entre o ex-presidente Nestor Kirchner e a presidente, Cristina Kirchner, com o grupo Clarin recebeu "apoio funcional" da AFA que, por sua vez, solucionou seus problemas com o fisco.

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