Argentina enfrenta onda de protestos após 100 dias de conflito agrário

O fantasma da crise assombra a Argentina após quase 100 dias de lock-out agrário, com falta de alimentos nos supermercados, escassez de gasolina e diesel, e uma onda de protestos por todo o país.

AFP |

Em diversos bairros de Buenos Aires e em várias cidades do país ocorreram "panelaços" contra a política fiscal da presidente Cristina Kirchner e em apoio ao movimento agrário.

Um grupo de manifestantes chegou à residência presidencial de Olivos, na periferia norte de Buenos Aires, que foi cercada por pessoas e automóveis.

Na cidade de Gualeguaychú, 230 km ao norte da capital, o "panelaço" reuniu milhares de pessoas diante da prefeitura local, que ficou isolada por tratores e caminhões.

Os protestos também sacudiram as cidades de Córdoba (700 km ao norte) e Rosário (300 km ao norte), situadas no principal pólo agroindustrial do país.

O ex-líder "piqueteiro" Luis D'Elía, hoje aliado do governo federal, denunciou que há um "golpe de Estado econômico" em andamento na Argentina.

"Já não há golpes militares como antigamente. Hoje os golpes ocorrem desestabilizando as instituições, quebrando a relação dos governos com os povos pelo desabastecimento, pelo desprestígio", disse D'Elía em entrevista coletiva.

Segundo D'Elía, "estamos diante de um golpe econômico" liderado pelo ex-presidente Eduardo Duhalde (2002-3), adversário do ex-mandatário Néstor Kirchner (2003-2007) dentro do peronismo.

Para esta quarta-feira, os governistas convocaram um ato na Praça de Maio, diante da Casa Rosada, em apoio à presidente Cristina Kirchner.

Pelo menos 30 estradas estavam parcialmente bloqueadas nesta segunda-feira, feriado na Argentina, com os produtores agropecuários impedindo a passagem de caminhões com cereais, após a retomada da suspensão das exportações de grãos, no sábado passado.

O protesto recrudesceu durante este final de semana, após a polícia de choque desbloquear a Rota 14, chamada de Mercosul, e deter por algumas horas um grupo de 19 manifestantes, incluindo o líder rural Alfredo de Angeli.

O novo lock-out agrário deve terminar na quarta-feira, com uma "jornada de luta em todo o país", mas De Angeli advertiu que "se for preciso, ficaremos mais 100 dias nas estradas".

O vice-presidente, Julio Cobos, se afastou hoje da posição dura do governo e defendeu mais diálogo, ao pedir ao Congresso que contribua para uma saída negociada.

O chefe de gabinete, Alberto Fernández, lamentou na véspera que o protesto continue e acusou alguns setores da oposição de se aproveitar desse momento crítico para desestabilizar o governo de Cristina Kirchner.

Os ruralistas protestam contra a aplicação de impostos móveis sobre as exportações de soja e outros grãos, adotada em 11 de março pelo governo.

Fernández negou que as autoridades tenham sido inflexíveis ao negociar com os manifestantes, que receberam a oferta de medidas compensatórias para os pequenos produtores agropecuários.

ls/LR

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