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Argentina enfrenta nova série de protestos e bloqueios de estradas

Buenos Aires, 15 jun (EFE).- A Argentina enfrenta uma nova série de protestos e bloqueios de estradas, depois que foi retomada hoje a greve comercial do campo, em meio a um grave conflito com o setor agrário e o Governo.

EFE |

Manifestantes ligados ao setor agrário realizaram hoje quatro bloqueios totais e 25 parciais em estradas do interior, em meio à quarta greve do campo em pouco mais de três meses, que consiste em uma paralisação na comercialização de produtos agropecuários, com exceção de laticínios e alimentos perecíveis.

Ao anunciar ontem à noite a greve, que deve se estender até a meia-noite da próxima quarta-feira, as quatro maiores associações agrárias do país esclareceram que a medida não consiste em um bloqueio total de rotas, mas sim em um controle de carga de caminhões.

Os protestos foram retomados em meio aos distúrbios de ontem, que foi mais um dia de um conflito iniciado há 96 dias devido a mudanças tributárias na exportação de grãos.

"O campo manterá seu protesto o tempo que for necessário", disse hoje o dirigente da Federação Agrária Argentina (FAA), Alfredo De Angeli, que ontem foi detido por cerca sete horas junto com outros manifestantes por se recusar a liberar uma estrada bloqueada.

"Estamos com muita preocupação porque isto não se resolve e temos uma posição muito dura de que não vamos afrouxar e o Governo não quer escutar o povo", disse De Angeli.

No entanto, o chefe de Gabinete argentino, Alberto Fernández, assegurou hoje que "se alguém escutou e mudou as coisas foi o Governo".

Segundo ele, "há setores" que utilizam a crise para gerar um "clima de desestabilização" no país, um dos principais exportadores mundiais de grãos.

"Aqui há um aproveitamento com vocação golpista. Alguns setores apresentam o tema como uma disjuntiva de continuidade do Governo", alertou o chefe de Gabinete, que voltou a defender os aumentos tributários que detonaram o conflito e culpou o campo pela falta de diálogo com o Governo de Cristina Fernández de Kirchner.

Este mês, além dos bloqueios feitos por produtores, os transportadores de cereais também fizeram manifestações e reivindicam o reatamento do diálogo entre campo e Governo para poder voltar a trabalhar.

Um setor das transportadoras levantou hoje os bloqueios para festejar o Dia dos Pais, embora tenham advertido que nesta segunda-feira retomarão as medidas.

Os incidentes entre autoridades e manifestantes aconteceram depois de o Governo ter anunciado na sexta-feira que garantirá a livre circulação de mercadorias, após a crise de desabastecimento gerada por mais de 300 bloqueios.

Os enfrentamentos provocaram numerosos bloqueios de estradas no interior do país e panelaços em diferentes bairros do país.

O dirigente de manifestações pró-governistas Luis D'Elía convocou ontem à noite uma mobilização para apoiar o Governo na Praça de Maio, que foi assistida pela surpreendente presença do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) junto com outros ministros.

Já o bispo de Gualeguaychú Jorge Lozano pediu hoje que o campo e o Governo retomem o diálogo, ao considerar que "depende apenas das vontades individuais".

Os prolongados bloqueios de estradas durante o conflito levaram a uma situação crítica algumas regiões da Argentina, que já sentem a falta de combustíveis, a escassez de alimentos básicos, problemas de abastecimento de remédios e uma queda no turismo.

Motoristas de ônibus de longa distância realizaram ontem uma greve total de atividades pedindo uma solução para o conflito.

"Não há razão para entender como a Argentina ingressou nesta crise. O conflito acelerou o tema inflacionário, a frente fiscal e a questão energética", disse hoje o economista Javier González Fraga.

EFE ms/rr

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