Por Juan Bustamante BUENOS AIRES (Reuters) - Cientistas da Argentina e dos EUA pretendem lançar um satélite para medir a salinidade na superfície dos oceanos, o que será uma ferramenta importante para monitorar o aquecimento global.

Pesquisadores de todo o mundo deram na quinta-feira a aprovação final ao projeto. O lançamento está previsto para 2010.

Atualmente, os especialistas medem a salinidade manualmente, a partir de amostras recolhidas do mar. É tão trabalhoso que 24 por cento da superfície marinha global nunca foram submetidos a esse exame.

O satélite SAC-D Aquarius deverá medir a salinidade dos mares no mundo todo uma vez por mês, durante três anos.

'Não temos como medir suficientemente a salinidade com barcos e bóias para fazer previsões climáticas corretas, então a medida de salinidade a partir do espaço vai transformar parte das nossas previsões climáticas sazonais', disse o oceanógrafo Eric Lindstrom, da Nasa.

Alterações da salinidade podem indicar mudanças no comportamento das correntes marinhas, o que por sua vez pode ser sinal de drásticas alterações climáticas. Essas correntes movimentam água quente e fria pelo oceano, ajudando a regular a temperatura do planeta.

Mas a redução da salinidade altera as correntes, e isso contribui para mais mudanças do clima. Por exemplo, estudos associam a redução da circulação marítima por causa dos níveis de sal ao resfriamento ocorrido na última Era Glacial.

O degelo das geleiras e o aumento da pluviosidade, fenômenos já observados no Hemisfério Norte, jogam mais água doce nos mares, o que reduz a concentração de sal.

O satélite foi projetado por cientistas argentinos, e inclui câmeras de alta sensibilidade e painéis solares. A Nasa entrou com o radiômetro de microondas que fará a medição.

O satélite será montado na Argentina.

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