Integrantes da Guarda Costeira são acusados de participar de 'voo da morte', do qual foram jogadas vivas também outras quatro mulheres

Três oficiais da Guarda Costeira argentina foram detidos sob acusação de participar de um 'voo da morte' no qual uma freira francesa e outras quatro mulheres foram jogadas vivas de um avião ao mar durante a ditadura militar argentina (1976-1983).

"As três pessoas detidas, que eram da prefeitura (Guarda Costeira), uma delas atual piloto de voos internacionais da Aerolíneas Argentinas, seriam aqueles que pilotaram o voo" no qual foram jogadas ao mar a freira francesa Léonie Duquet e quatro integrantes da organização humanitária Mães da Praça de Maio, disse uma fonte judicial sob anonimato.

Os três homens detidos são Alejandro Domingo D'Agostino, Enrique José de Saint Georges e Mario Daniel Arru. Eles são acusados também de outros 20 casos de 'voos da morte', de acordo com a fonte judicial. Todos eles eram oficiais de Guarda Costeira no momento do crime investigado. Arru é hoje comandante na companhia aérea argentina.

O juiz federal Sergio Torres, encarregado do caso, também ordenou a detenção de um advogado e de um integrante da Marinha de Guerra, ambos na província de Mendoza, no oeste do país.

Os corpos das cinco mulheres, entre eles o da fundadora do grupo Mães da Praça de Maio, Azucena Villaflor, foram encontrados em 2005 enterrados como indigentes no cemitério de uma cidade litorânea, depois de terem sido encontrados em uma praia para onde foram levados pelo mar no fim de 1977.

'Voos da morte'

Centenas dos 5 mil desaparecidos do campo de extermínio da Escola de Mecânica da Marinha (ESMA, em espanhol) eram sequestrados e jogados vivos no mar nos chamados 'voos da morte', segundo denúncias de organizações defensoras dos Direitos Humanos.

O juiz federal Sergio Torres também emitiu a ordem de detenção para o ex-suboficial da Marinha Ricardo Rubén Ormello e do advogado Gonzalo Dalmacio Torres de Toloza. O advogado é o único civil até agora que foi acusado de participação nos "voos da morte" e é acusado de ligação com o grupo de tarefas que operava no centro clandestino de detenção da ESMA.

O tribunal federal recebeu a informação de que Toloza estaria padecendo de uma grave doença cerebral e, por isso, não teria condições de prestar depoimentos. Uma comissão do tribunal composta por médicos forenses irá ainda hoje para a casa do advogado.

Ele foi denunciado pelo Adolfo Scilingo, ex-capitão da Marinha que cumpre pena de 640 anos por crimes contra a humanidade durante a ditadura. O ex-oficial referiu-se a ele como "o único civil que participava dos 'voos da morte'" e que serviu ao regime militar como funcionário judicial. Scilingo foi o primeiro ex-militar a confessar seus crimes perante um tribunal, e em seguida outros ex-repressores seguiram o exemplo, no que foi conhecido como o "efeito Scilingo".

Cerca de 30 mil pessoas desapareceram durante a ditadura militar argentina, segundo organizações humanitárias.

*Com AFP e Ansa

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