Argentina deseja unificar posição com Brasil na OMC

Buenos Aires, 1 ago (EFE).- O Governo argentino afirmou hoje que tentará unificar uma posição conjunta com o Brasil perante a Organização Mundial do Comércio (OMC), depois das posições discordantes nas discussões da Rodada de Doha.

EFE |

"O Brasil aceitou parâmetros que a Argentina não estava disposta a aceitar, mas ao fazer parte de uma união aduaneira (Mercosul), os países não podem estar em desacordo, pois a ruptura dessa união seria algo muito grave", disse o secretário de Relações Econômicas Internacionais argentino, Alfredo Chiaradía, durante uma entrevista coletiva.

O principal negociador comercial da Argentina afirmou que "se poderia ter insistido um pouco mais" em uma posição comum com o Brasil antes das negociações da última semana na OMC, que foram concluídas sem êxito.

Ele admitiu que, antes da reunião de Genebra, foram realizadas "muitas negociações" nas quais não houve acordo, mas assegurou que é "indubitável" que "os parceiros" Argentina e Brasil "vão poder superar as diferenças".

"O que terá que ser feito (com o Brasil) é trabalhar na OMC com uma só voz, como faz a União Européia. A Argentina está preparada para isso", disse Chiaradía.

O diplomata fixou a posição da Argentina a dois dias da chegada do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, a Buenos Aires, onde se reunirá com sua colega argentina, Cristina Fernández.

Juntos, os governantes inaugurarão, além disso, um encontro do qual participarão cerca de 200 empresários.

Ambos os líderes também terão, na segunda-feira, uma mini-cúpula junto ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, na qual poderiam conversar sobre o andamento das negociações na OMC.

Chiaradía sustentou que o Brasil tomou em Genebra uma posição "no contexto de um pequeno grupo de países que apresentaram um documento como um pacote", sem que se pudessem fazer "modificações de conteúdo" durante as negociações.

O diplomata negou taxativamente que as autoridades argentinas tenham considerado a postura do Brasil uma "traição", como opinaram analistas políticos brasileiros.

"As divergências fazem bem ao Mercosul", indicou.

Chiaradía evitou referir-se às declarações formuladas nesta quinta-feira pelo chanceler brasileiro, Celso Amorim, para quem o Brasil não podia "ficar refém da posição argentina".

"Não vou me referir às declarações do meu amigo Amorim", assinalou. EFE ms/gs

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