Argentina denuncia Reino Unido na ONU, que pede calma por Malvinas

Argentina acusa Reino Unido de militarizar Atlântico Sul com envio de destróier; secretário-geral da ONU pede contenção

iG São Paulo |

O chanceler argentino, Héctor Timerman, denunciou nesta sexta-feira o Reino Unido perante a ONU pela militarização do Atlântico Sul, depois da decisão de Londres de enviar um moderno destróier às Ilhas Malvinas, cuja soberania é disputada pelos dois países.

AP
O chanceler argentino, Hector Timerman (E), cumprimenta o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na ONU em Nova York
A presidenta Cristina Kirchner havia anunciado na quarta-feira que a denúncia seria apresentada à ONU com o argumento de que o Reino Unido criava um grande risco de segurança ao enviar um de seus navios de guerra mais modernos à região.

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O governo britânico disse recentemente que o envio do destróier HMS Dauntless, equipado com mísseis antiaéreos, tinha como objetivo substituir outro navio em uma operação de rotina. Além do anúncio sobre o envio da embarcação, na semana passada chegou às ilhas o príncipe William da Inglaterra para uma instrução militar de seis semanas.

Após se encontrar com Timerman em Nova York, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou esperança de que os dois países possam evitar uma escalada na disputa. De acordo com uma nota sobre a reunião, Ban "demonstrou preocupação com a retórica cada vez mais forte" entre os dois governos e afirmou que a ONU ficaria feliz em ajudar a mediar se requisitada.

"Vim às Nações Unidas para fazer uma denúncia contra o Reino Unido pela militarização do Atlântico Sul", afirmou Timerman, depois de entregar a Ban ki-Moon uma cópia da carta entregue nesta sexta ao presidente do Conselho de Segurança. "O Reino Unido é, nesse momento, a potência militar mais importante que existe nessa zona e recolhi dados a respeito de temas nucleares e armas nucleares", acrescentou o chanceler argentino.

O Reino Unido, por sua vez, voltou a negar que esteja militarizando o Atlântico Sul . "Não estamos militarizando o Atlântico Sul", afirmou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores britânico, depois de questionado sobre as declarações do secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, que criticou o Reino Unido pelo "tom belicista" dado em sua disputa com a Argentina.

A respeito da denúncia ante as Nações Unidas, o porta-voz inglês indicou que "a ação da ONU é um assunto para a Argentina". "O tema das Falklands (como os britânicos chamam as Malvinas) já é discutido anualmente no C24 (Comitê Especial de Descolonização da ONU). O Reino Unido não tem dúvidas sobre sua soberania nas Falklands, e o princípio de autodeterminação, como está estabelecido na Carta da ONU, mantém nossa posição", acrescentou.

A Argentina e o Reino Unido disputaram as ilhas em uma guerra em 1982, e as tensões aumentaram em semanas recentes sobre o status do território localizado na área costeira da Argentina no Atlântico Sul. A soberania das ilhas, consideradas por Londres como território dependente, é reivindicada pela Argentina desde 1833.

*AP e AFP

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