Argentina critica presença de príncipe William nas Malvinas

A notícia de que o príncipe William, da Inglaterra, passaria três meses nas Ilhas Malvinas para um curso militar de piloto de busca e resgate levou o Ministério das Relações Exteriores da Argentina a reagir com um comunicado de repúdio à iniciativa. Esta circunstância só serve para colocar em evidência, uma vez mais, a frequente presença militar britânica nos espaços terrestres e marítimos que formam parte do território nacional da República Argentina, diz o comunicado.

BBC Brasil |

Em 1982 a Argentina e a Grã-Bretanha travaram uma guerra pelas ilhas Malvinas - chamadas de Falklands pelos ingleses -, que ficam no Atlântico Sul.

Segundo a professora de direito internacional Lilian del Castillo, da Universidade de Buenos Aires, naquele mesmo ano a Assembleia Geral das Nações Unidas recomendou que os dois países negociassem uma solução pacífica para o conflito.

"A presença de William (nas Malvinas) confirmaria que as ilhas são britânicas e não argentinas. E isso é irritante. A Grã-Bretanha não tenta facilitar as coisas. Em vez de buscar uma atitude mais conciliatória, tem uma posição muito dura. Não só não conversa como manda algum representante para remarcar este terreno", disse Castillo à BBC Brasil.

Segundo ela, o objetivo da Argentina é estabelecer uma negociação com a Grã-Bretanha para discutir a "soberania" das Ilhas.

"Mas a posição da Grã Bretanha é: 'sobre este tema não conversamos'. Mas ninguém pode dizer que não existe uma controvérsia. E com esta postura da Grã-Bretanha, que é surpreendente, não podemos avançar para lugar nenhum nem tentar destravar esta questão", disse Castillo.

Os dois países voltaram a ter relações diplomáticas a partir de 1990, mas as Malvinas continuam sendo um tema tabu, segundo Castillo.

A questão da soberania das Ilhas voltou a ganhar mais força na Argentina desde que o ex-presidente Néstor Kirchner, que é da Patagônia, região próxima às Malvinas, chegou ao poder, em 2003.

Kirchner destacou a "necessidade" desta negociação em encontros nacionais e internacionais.

Sua sucessora na Presidência e esposa, Cristina Kirchner, que assumiu em dezembro de 2007, também já mencionou a necessidade de uma negociação sobre o arquipélago.

O comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Argentina afirma ainda que a "ilegítima ocupação britânica em geral (...) continua sendo reiteradamente rejeitada e motivo de protesto da Argentina".

De acordo com a imprensa argentina, estas declarações do governo argentino teriam levado o Ministério da Defesa da Grã-Bretanha e o vice-governador britânico das Malvinas, Paul Martínez, a declararem que a informação sobre a possível visita do príncipe era "incorreta".

Martínez acrescentou que ocorreu uma "má interpretação" da imprensa britânica, que publicou a informação sobre a possível viagem do príncipe às Malvinas.

A previsão é de que em março a presidente Cristina Kirchner e o primeiro-ministro britânico Gordon Brown participem de uma reunião de líderes progressistas no Chile, a convite da presidente Michelle Bachelet.

Pouco depois, em 2 de abril, data da chegada das tropas argentinas às ilhas - o que abriu caminho para a guerra - eles devem ter um novo encontro durante a reunião do G20, em Londres.

Especula-se que o assunto poderia chegar a ser tratado entre eles.

As Ilhas Malvinas têm cerca de 2 mil habitantes, incluindo os estrangeiros que estão na região para trabalhar.

Seus moradores recebem salário em libras esterlinas, a moeda britânica, e o governo é designado pela Grã-Bretanha.

Por outro lado, as ilhas têm uma Constituição própria que, segundo Castillo, lhes dá autonomia para a pesca.

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