Argentina crê em recuperação de comércio com o Brasil

Buenos Aires, 12 fev (EFE).- O ministro das Relações Exteriores argentino, Jorge Taiana, disse hoje acreditar que o comércio bilateral com o Brasil vá se recuperar rapidamente, embora tenha admitido que ele tenha caído muito por causa da crise financeira internacional.

EFE |

As declarações de Taiana foram feitas depois da rejeição de empresários argentinos à proposta da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) de impor restrições a alguns produtos importados da Argentina, como represália pela decisão da Alfândega deste país de exigir licenças de importação para 800 produtos.

"Da mesma forma que em outros países, a Argentina tomou medidas frente à crise internacional, sobretudo para evitar o subfaturamento e o dumping (comércio desleal), além do uso de vantagens não legítimas no comércio", afirmou Taiana em declarações radiais.

O chanceler disse estar atento para a exigência e preocupação do setor industrial argentino assim como das autoridades, explicando que as medidas estabelecidas procuram evitar que desvios comerciais aconteçam.

Taiana acredita que o comércio bilateral com o Brasil vá se recuperar rapidamente, assim que as expectativas perante a evolução da crise internacional se acalmem.

Ele confirmou que na próxima semana vai viajar ao Brasil junto com os ministros da Economia, Carlos Fernández; e da Produção, Débora Giorgi; para se reunir com autoridades do Governo brasileiro.

"Estamos conversando, estamos trabalhando, não são temas simples, mas atuaremos com toda a responsabilidade na defesa dos interesses de nosso trabalho, de nosso emprego", sustentou.

As exportações argentinas para o Brasil registraram em janeiro passado uma queda anualizada de 46,1%, enquanto as compras caíram 50,8%, segundo um relatório privado.

Em 2008, a Argentina acumulou um déficit comercial com o Brasil de US$ 4,344 bilhões, com um crescimento anualizado de 8,4% em relação ao saldo acumulado em 2007.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, pediu esta terça-feira ao Governo de Luiz Inácio Lula da Silva restrições às importações argentinas nos setores de linha branca e linha marrom, além de produtos siderúrgicos, têxteis, vidros e calçados.

Há duas semanas o Governo brasileiro anunciou que exigiria uma licença prévia para a importação de 60% de produtos adquiridos no exterior, mas voltou atrás pressionado pelas críticas de países vizinhos e empresários nacionais. EFE ms/ma

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