Argentina convoca entidades agrárias para encerrar conflito no campo

Buenos Aires, 22 jun (EFE).- A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, convocou as quatro maiores entidades do campo para uma reunião nesta segunda para resolver o conflito que o setor mantém com o Governo há 103 dias, confirmaram hoje fontes oficiais.

EFE |

"Temos, como país, uma grande possibilidade de nos desenvolvermos. Quero convidar vocês a protagonizarmos pluralidade e democracia e, junto com todos os argentinos, o desafio e a responsabilidade que o momento exige", diz a carta distribuída entre os membros das associações que representam cerca de 290 mil produtores.

A convocação - realizada após o campo iniciar neste sábado sua quarta greve comercial em pouco mais de três meses -, aconteceu no auge do "acordo do Bicentenário", que a presidente pretende assinar junto com diferentes setores da sociedade com metas para os próximos 50 anos.

O conflito começou a ser agravado na última terça, quando a governante enviou ao Parlamento um projeto de lei sobre o aumento dos impostos que levou a um conflito com o campo, tal como processavam as organizações agrárias.

"Como é público e notório, a entidade que o senhor preside, junto com outras entidades rurais, decidiu encerrar a greve de comercialização de grãos oportunamente disposta e o bloqueio de vias que nos últimos cem dias haviam se espalhado por alguns pontos do país", diz a mensagem divulgada neste domingo pela imprensa local.

"Não escapará dos senhores que tais medidas de força levaram a conseqüências negativas para os argentinos", prossegue na carta, em alusão aos bloqueios de estradas e aos protestos do setor durante o conflito.

Cristina Kirchner diz na mensagem que as medidas de força afetaram "o normal desenvolvimento da vida nacional com o desabastecimento de combustíveis e de alimentos, situação que facilitou a ação dos especuladores que permanentemente crescem com a necessidade dos cidadãos".

"Agora, com o novo temperamento que as entidades expressaram, os argentinos recuperaram a democracia", diz a carta ao se referir ao fim da greve e aos bloqueios de vias, que causaram desabastecimento e diferentes problemas na economia como o corte de milhares de postos de trabalho.

"A República exige que todos respeitem os direitos dos cidadãos, algo que é ameaçado quando a livre mobilidade é afetada, quando se obstrui o acesso do povo aos alimentos do dia a dia ou quando se impede que outras atividades econômicas possam ser desenvolvidas normalmente", adverte.

Neste sentido, a chefe de Estado classifica de "nociva" esta forma de protesto e expressa sua esperança de que "tais modalidades não serão reiteradas no futuro acima de qualquer diferença que possa existir".

O convite foi feito aos presidentes da Federação Agrária Argentina (FAA), Eduardo Buzzi, da Sociedade Rural Argentina (SRA), Luciano Miguens, da Confederação Intercooperativa Agropecuária (Coninagro), Fernando Gioino, e das Confederações Rurais Argentinas (CRA), Mario Llambías, para esta segunda às 18h.

Além disso, nesta segunda o Congresso argentino começará a debater o projeto enviado pelo Governo, que espera a ratificação de sua medida, enquanto dirigentes do campo pedem aos legisladores que modificações à norma sejam incorporadas, entre elas a eliminação do recente aumento às exportações de soja, milho, girassol e trigo.

Por outro lado, grupos governistas pedem a ratificação da medida, enquanto um grupo de ruralistas afirmou este fim de semana que também pedirá aos legisladores que atendam aos pedidos do campo.

O conflito atingiu a imagem da presidente, que na última segunda encarou maciços "panelaços" como forma de protesto nas principais cidades da Argentina e cuja popularidade caiu 36 pontos desde que assumiu seu mandato há seis meses. EFE ms/fh/fal

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